Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/06/2020
O filme “uma prova de amor” retrata a história de Kate, uma jovem que nasceu com leucemia e desde sempre enfrenta a dura vivencia em ambientes hospitalares. Nesse contexto, seus pais resolvem ter uma gravidez planejada de sua irmã Anna, que terá o papel de bebe de proveta e logo ao nascer vai doar sangue para sua irmã. No entanto, ao se focar na realidade é possível observar a dificuldade enfrentada por pessoas que necessitam da doação de sangue, assim como da personagem do filme, e que muitas vezes tomam decisões extremas para que isso aconteça, devido a falta de conscientização da população e a falta de verbas estatais. De fato, é o retrato de uma sociedade apática.
Em primeira análise, é válido destacar o descarte de sangue de pessoas homossexuais como catalisador dessa problemática. Isso porque, há o estigma de que os homossexuais possuem mais doenças e não podem fazer doação, para manter a saúde dos receptores. Afirmação essa totalmente equivocada, uma vez que o sangue recebido passa por uma série de testes, antes de ser feita a doação para o receptor, o que comprova um total descaso com a saúde de quem mais precisa. O que ratifica isso são os dados da revista Super Interessante, em que afirmam que 18 milhões de litros sangue poderia ser doado se não houvesse essa barreira contra os LGBTQ+. Esse dado expõe a visão de um país com preconceituoso e inconsequente, pois vidas deixam de ser salvas por conta disso.
Outro fator contribuinte é a inobservância do estado. Isso porque muitos dos hospitais não possuem recursos para obterem as chamadas “agências transfusionais”, que são filiais dos hemocentros e ajudam a manter a qualidade do sangue, visto que não basta ter o sangue, se ele não está bom estado para ser usado posteriormente. Segundo Tomas Hobbes em sua teoria do Leviatã, o Estado possui o dever de proteger os indivíduos e garantir o seu bem estar social. No entanto, essa teoria não se ratifica no hodierno brasileiro por conta da deficiência na saúde pública, ocasionado pelo pouco direcionamento de recursos. Logo, é necessário que haja uma ressignificação nesse cenário.
Entende-se, portanto, que a doação de sanguínea é necessário e precisa de mais atenção. Para tanto, cabe ao ministério da saúde em parceria com a mídia, promover campanhas publicitarias que enfoquem a importância de doar sangue, como propagandas e comerciais, afim de conscientizar mais a população. Ademais, é papel do Governo implantar mais núcleos de a coleta pelos hemocentros nos hospitais, por meio do envio de verbas e equipamentos, com o fito de melhorar o estoque e qualidade do sangue. Por fim, é dever dos centros de coleta sanguíneo romper com o preconceito em relação a doação por homossexuais, visando ajudar na salvação de mais vidas. Desse modo, obter-se-á uma pátria mais saudável e solidária como a exemplificada no filme 2012.