Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 15/07/2020
O Papa Francisco define a doação de sangue como “um ato de fé”, pois é uma entrega de algo que não irá lhe faltar para um bem maior. Todavia, mesmo com diversas pessoas públicas incentivando e sendo favoráveis a doação, por que ainda há falta de bolsas de sangue e baixo percentual de doação? E quais medidas o Estado tem tomado para compensar e remediar tais baixas?
O senso comum é o maior gerador de tabus, induzindo pessoas a acreditarem em informações inverídicas sobre o processo de doação, como o fato de que doar sangue pode contaminar o doador fazendo-o emagrecer ou engordar, e afinando ou engrossando seu sangue. No entanto, diversos especialistas afirmam que a doação não interfere em nenhum destes e é um ato seguro realizado por profissionais. Outro preconceito relacionado é a proibição de homens homossexuais doarem sangue, desde a década de 80, oriundo da pandemia de AIDS e HIV, onde eram os mais contaminados.
Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, a cada bolsa de sangue doada, quatro vidas podem ser salvas no Brasil, mas apenas 1,6% da população é doadora. Embora o percentual seja baixo comparado a outros países da América Latina, não faltam esforços dos órgãos públicos para incentivar a população: doadores regulares podem garantir descontos nas entradas de cinemas e museus, bem como nas inscrições de vestibulares. Contudo, tais medidas se mostram ineficazes ao analisar que o percentual de doadores está abaixo dos mínimos 3% recomendados pela OMS.
Para o sociólogo Émile Durkheim, a solidariedade social é fruto da consciência coletiva, ou seja, ao ser conscientizada, a comunidade se auto incentiva para realizar atos em nome do bem estar comum. Assim, infere-se que o Ministério da Saúde deve realizar campanhas intensivas de conscientização e incentivo (divulgando os benefícios) a doação em comunidades, centros urbanos e escolas, combatendo os misticismos em todas as classes sociais e desde a educação infantil até a superior.