Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 13/06/2020
“A verdadeira caridade só ocorre quando há a noção de dar, de doador ou de doação.” A assertiva de Buda, embora correta, não é efetivada no Brasil, posto que o processo de doação de sangue ainda enfrenta desafios para sua realização. Isso ocorre ora pela falta de conscientização da população, ora pela estrutura deficiente oferecida pelo Estado, o que inviabiliza a legitimação da máxima de Sidarta.
A priori, a falta de conhecimento da importância desse ato colabora para sua não popularização. Segundo a vertente Estóica da filosofia Helenística, a verdadeira escravidão é a ignorância. Nesse viés, não só a ausência de informação a respeito do processo de doação, mas também a descoberta tardia da importância desse ato fragiliza a sua realização, o que contribui para a escassez de doadores, que compreende apenas 1,8% da população entre 16 e 69 anos no país – segundo a ONU. Ora, se não há a compreensão integral da importância desse ato, não é razoável que ele seja tão desvalorizado no Brasil.
A posteriori, a pouca estrutura dos hospitais dificulta a massificação desse ato. A esse respeito, o artigo V da Constituição Federal garante a inviabilidade do direito à vida. No entanto, a estrutura precária dos hospitais públicos, quase sempre incapazes de oferecer condições básicas, não prove as chamadas “agências transfusionais” dentro do centro médico, o que impede um gerenciamento eficiente da estocagem das bolsas de sangue e, por conseguinte, uma efetividade plena do processo de doação. Logo, esse entrave vai de encontro ao princípio constitucional, o que corrobora no alheamento de parte considerável da população quanto a doação de sangue.
Repensar a importância da doação de sangue no Brasil, portanto, é fundamental para minorar esses obstáculos. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação – representante máximo da educação no país – elaborar projetos de conscientização ainda para as séries iniciais, por meio de parceria com os Hemocentros de cada cidade, a fim de informar, desde a mais tenra idade, sobre a importância e função transformadora de ser um doador. Por fim, é papel do Ministério da Saúde garantir a efetividade do processo de doação de sangue, mediante investimento na logística e estocagem sanguínea, com o fito de assegurar o funcionamento pleno do processo e perpetuar o princípio de caridade mencionado por Buda.