Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 14/08/2020
A Ética no Sangue
O filósofo Kant denomina que uma ação ética é aquela que não busca recompensas, e sim que possui um fim em si mesma. Exemplo disso é a doação de sangue na qual, em minutos, uma pessoa realiza o bem e salva vidas sem buscar remunerações. Entretanto, por motivos como o crescente individualismo e a falta de hemocentros nas cidades interioranas essa ação ética tende a decrescer e gerar incalculáveis danos.
Em primeiro momento, é de suma importância ressaltar como o individualismo é um grande obstáculo à doação de sangue. Nesse sentido, pode-se empregar o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, o qual explicita que em sociedades urbanas as pessoas são menos empáticas e coletivas. Como consequência disso, hemocentros sofrem com um baixo índice de doadores e, dessa maneira, vidas podem ser perdidas.
Além do individualismo, a ausência de hemocentros em cidades interioranas tona o cenário ainda mais grave. Desta forma, é possível inferir que, sociedades do interior muitas vezes se veem impossibilitadas de doar, pois na sua cidade (ou arredores) não há onde realizar a coleta. Determinado fato pode ser compreendido como um dos motivos pelo qual somente 1,6% da população brasileira é doadora de sangue, segundo o Ministério da Saúde (2019), um número ínfimo dado a simplicidade dessa ação
Nota-se, portanto, que o Brasil possui sérios obstáculos na doação de sangue. Todavia, medidas podem reverter essa situação. O Ministério da Saúde, em busca de aumentar o número de doadores de sangue, pode desenvolver pontos de coleta em cidades interioranas por meio de parcerias com clínicas privadas e hospitais públicos, desse modo, mais pessoas podem doar e salvar vidas. Ademais as escolas podem desenvolver projetos com o objetivo de informar os alunos sobre a importância de doar e ter um espírito coletivista e empático. Somente através dessas medidas será possível fortalecer a ética kantiana e enfraquecer o individualismo de Bauman.