Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 26/06/2020

Embora o Brasil esteja nos padrões determinados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no qual 1 a 3% da população seja doadora de sangue, percebe-se que, particularidades como os critérios de seleção e a herança cultural brasileira, impedem que o país alcance maiores percentuais de doadores, principalmente aqueles regulares. Diante desse cenário, urge maior empenho do Poder Público e da sociedade civil para seu efetivo combate.

Em primeiro plano, é cabível salientar que, as rigorosas normas e proibições ─ muitas delas polêmicas ─ são fatores que inibem o crescimento de doadores no país. A exemplo disso, o Ministério da Saúde define, por meio da portaria n° 158, que homens homossexuais precisam passar 12 meses em abstinência sexual para poderem doar sangue. Tal panorama obstaculiza um número significativo da população masculina que pode contribuir para o aumento da estatística de doadores, pois, de acordo com esse Ministério, a quantidade de sangue que esses indivíduos podem doar é de até quatro vezes por ano, superior a do sexo feminino, além de consentir que direitos civis lhes sejam negados. Destarte, enquanto políticas não forem revistas, torna - se complexo contornar o entrave no país.

Ademais, a questão cultural é outro fator que agrava o problema. Nesse contexto, o filósofo Confúcio já afirmava: “Se queres prever o futuro, estuda o passado.” Tal máxima, mesmo que séculos depois, comprova que a falta de um esforço educacional por parte das escolas brasileiras sobre o incentivo a doação sangue de forma regular, voluntária e solidária- na construção da cidadania desde os primeiros anos de vida- favoreceu para que a importância de tal prática fosse negligenciada por grande parcela da sociedade, tornando-a naturalizada, o que dificulta, ainda mais, reverter o atual cenário.Desse modo, é essencial estimular a cultura da doação de sangue, para que, assim, adversidades sejam elucidadas.

Portanto, a fim de superar os obstáculos para doação de sangue no Brasil, cabe ao Estado aliado ao Ministério da saúde, mediante ao redirecionamento de verbas, realizar as adaptações necessárias em todas as escolas, com o oferecimento de palestras, cartilhas educativas para fomentar, desde a infância, a relevância acerca da solidariedade, com o fito de que a doação de sangue seja um hábito entre os brasileiros.Cabe ainda, ao poder público, potencializar a já existente semana do doador de sangue, com apoio da mídia para esclarecer dúvidas e desmitificar informações equivocadas em relação à temática. Outrossim, as autoridades de saúde devem fazer revisões periódicas das orientações aos possíveis doadores, para que sejam analisados os comportamentos de risco, independente da identidade sexual.Assim, será possível que uma cidadania legítima seja realidade no país.