Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 23/06/2020

No século 19, foi feita a primeira transfusão com sangue humano em mulheres com hemorragia pós-parto. Desde então, esse feito tem salvado diariamente milhares de vidas ao redor do globo. No entanto, mesmo dois séculos depois, ainda enfrentamos diversos obstáculos na doação de sangue no Brasil. Dentre eles, podemos citar: a recusa da doação de sangue de pessoas homossexuais e os mitos criados em torno do ato.

Em primeiro lugar, devemos atentar para a recusa de doadores com relacionamento homoafetivo. Como apenas 1,8% da população brasileira realiza a doação sanguínea, em contraste com os 3% recomendados pela OMS, trata-se de um desperdício de potenciais doadores. Além disso, reitera o arcaico pensamento no qual se afirma que todos os homossexuais são promíscuos. Já que não há diferença alguma entre um casal monogâmico, homo ou heterossexual, que possa apresentar riscos à saúde do receptor, não há motivos reais para essa recusa.

Ainda, é preciso desmistificar o processo de doação. Por muitas pessoas acreditarem que o ato é doloroso, demasiadamente demorado e que há grande possibilidade de contrair doenças, temem ir até o hemocentro mais próximo para realizar esse procedimento. Embora, todas as explicações devidas sejam dadas no local, para a segurança e tranquilidade do doador, é preciso investimento em educação contínuo para que a pessoa temerosa, supere qualquer receio e consiga chegar ao local para o recolhimento.

Com isso, vimos que a doação de sangue no Brasil precisa ultrapassar os obstáculos do preconceito contra homossexuais e os mitos criados sobre a coleta do sangue. Para isso, o Ministério da Saúde precisa extinguir a portaria que proíbe a doação de sangue por gays, e modificar a portaria que identifica heterossexuais com mais de um parceiro sexual conhecido, ou parceiro desconhecido, como grupo de risco, para todas as orientações sexuais, não só para os com relacionamento heteroafetivo. Isso porque um casal monogâmico homossexual não apresenta maiores riscos do que um heterossexual. Também, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, invista em propagandas educativas, que enalteçam não só o ato de amor que é a doação de sangue, como já é feito, mas o fato de o processo ser indolor, ter duração de no máximo 8 minutos, e nenhum risco de contaminação. Dessa forma, conseguiremos atingir a marca de 3% de doadores recomendada pela OMS.