Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 24/06/2020

No início de 2020, no Brasil, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Doar é um ato de amor” para incentivar a população a doar sangue. Entretanto, nota-se a carência de doadores e o baixo estoque nos hemocentros do país por conta dos obstáculos enfrentados para a doação de sangue, como a falta de conscientização da população e a desinformação sobre as normas e proibições para efetuar tal ato.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a falta de solidariedade e conscientização da sociedade brasileira a respeito da importância da doação de sangue é um grande desafio para aumentar o número de doadores. Dessa maneira, uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostrou que apenas 1,6% da população brasileira já doou sangue, sendo que 34% desses doadores efetuaram a doação por conta de algum paciente ligado ao doador por laços familiares ou de amizade. Nesse sentido, uma grande parte da população nunca doou ou só doa quando enfrenta um caso pessoal, contrariando a frase do escritor Franz Kafka: a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Portanto, um dos maiores desafios para aumentar o número de doações no Brasil é a falta de solidariedade e conscientização dos brasileiros, pois muitos sabem que o ato salva vidas, mas não tornam-se doadores.

Ademais, a falta de informação também atrapalha o crescimento de doações. Desse modo, apesar do Governo Brasileiro disponibilizar no seu site oficial informações sobre as regras para a doação, uma parcela massiva da sociedade ainda acredita em estigmas ou não tem acesso a esses dados. A exemplo disso, após o surto de HIV no Brasil entre os anos 90 e 2000, os homossexuais foram considerados pelos hemocentros como “grupo de risco” para a doação. Todavia, essa ligação entre a homossexualidade e o HIV foi extinguida nos hemocentros, e atualmente os homossexuais não são mais proibidos de doar sangue, mas grande parte da população ainda perpetua esse preconceito e desinformação. Sendo assim, a desinformação popular ajuda a perpetuar ideias antigas e preconceitos que desestimulam a doação de sangue mesmo por pessoas que não apresentam comportamento de risco ou não são impedidas de doar, o que prejudica o aumento de doações.

Em suma, cabe a população brasileira conscientizar-se sobre a importância de doar sangue mesmo que o paciente não seja ligado ao doador. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde intensificar as campanhas de doação de sangue, através de publicidade e propagandas em horários nobres da televisão, que tem maior alcance do público, com a finalidade de informar melhor a população e assim desmistificar crenças e preconceitos antigos e aumentar o número de doadores.