Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 23/07/2020
Os obstáculos científicos para a transfusão de sangue começaram a ser superados ainda no século XVII, com a descoberta da circulação sanguínea. As pesquisas prosseguiram e os métodos se aprimoraram tanto que, no Brasil, o primeiro hemocentro público foi criado na cidade de Porto Alegre, em 1941. Atualmente, os desafios que ainda atravancam o potencial das doações não são de caráter técnico, mas sim da falta de conscientização da população aliada a deficiência estrutural.
É imperativo abordar, como a ausência de doadores é resultado da inexistência de políticas em prol dessa necessidade. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, somente 1,8% dos brasileiros aptos são doadores – a taxa recomendada é entre 3% e 5% – o que afeta os estoques dos hemocentros. Segundo o G1, o hemocentro de Palmas alegou não possuir cinco tipos sanguíneos, carência que prejudica inúmeros pacientes, visto que o sangue é um remédio insubstituível e impossível de ser fabricado. Esses dados provém da limitação imposta pela falta conscientização dos cidadãos, pois o Brasil não se prepara para captar o doador desde criança, ao cultivar nele a compreensão da importância dessa ação desde a tenra idade, o que dificulta ou até mesmo inviabiliza que essas crianças se tornem doadoras no futuro e impede o país de atingir as taxas ideais da OMS.
O segundo obstáculo para a transfusão sanguínea diz respeito à capacidade estrutural, pois se tratando de um material difícil de ser acondicionado, minimizar a possibilidade de descarte é de suma importância. Para isso, além dos hemocentros, são fundamentais as agências transfusionais, que funcionam dentro dos hospitais gerenciando os estoques de bolsas de sangue, evitando a perda do material. Porém, em entrevista à BBC Brasil, a presidente da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco apontou que muitos hospitais do nordeste não possuem esse mecanismo devido a insuficiência de financiamento, o que resulta na precarização do sistema e impede que a sua eficiência seja máxima.
Urge, portanto, a intervenção governamental para o sanar dos problemas anteriormente citados. Cabe então, ao Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Comunicação Social, a criação de campanhas publicitárias frequentes e em todos os meios de comunicação, além das escolas. Tais campanhas serão um esforço educacional que garantirá que os cidadãos compreendam a notoriedade dessa ação solidária e se disponham a doar sangue regularmente. Ademais, o Ministério da Saúde deve investir na implantação de novas agências transfusionais em áreas que carecem desse serviço, para que a melhoria do sistema acompanhe a elevação do volume de doações. “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”, Franz Kafka.