Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/08/2020
O conto “A terceira margem do rio”, do escritor brasileiro Guimarães Rosa apresenta a história de um pai, o qual decide ir para o meio de um rio com uma canoa, deixando o filho na borda, todavia, esse pede para trocar, indo ele para o rio enquanto o outro ficaria na margem, mas acaba repensando e desistindo da ideia. A isso se assemelha as doações de sangue, onde muitas pessoas refletem sobre a possibilidade de ajudar, mas acabam abandonando esse pensamento após avaliar os obstáculos. Isso ocorre devido às poucas campanhas e oportunidades para doar, além ainda do medo de diversos mitos populares.
Em primeiro plano, graças às poucas campanhas de doação sanguínea, muitas pessoas se esquecem das datas ou acabam desistindo pela demora. De acordo com dados da Revista Super Abril, mais de 98% dos brasileiros não doam sangue. Isso é compreensível, já que em cidades que não possuem hemocentros, as oportunidades são raras, como por exemplo na cidade do interior de São Paulo, Indaiatuba, que possui mais de 230 mil habitantes e as doações ocorrem apenas em um sábado do mês por meio período, gerando filas. Nesse sentido, revela-se a necessidade de mais investimentos por parte do Ministério da Saúde.
Ademais, muitos indivíduos acabam tendo medo de realizar essas doações devido ao preconceito criado pelo contato com ideias que, mesmo que sem nexo, acabam assombrando a sociedade, como a concepção de que a doação pode engrossar ou afinar o sangue . Ao utilizar o pensamento do físico alemão Albert Einstein de que é mais fácil desintegrar um átomo do que um prejulgamento, nota-se a extrema influência que as pessoas têm uma sobre as outras com a apresentação de paradigmas. Dessa forma, é facilmente notável a falta de conhecimento a respeito e a alarmante necessidade de mudança nesse sentido.
Sendo assim, fazem-se necessárias ações governamentais de apoio às doações sanguíneas. A princípio, o Ministério da Saúde dever-se-ia, por meio de um acordo com as cidades que não possuem hemocentros, ofertar campanhas semanais de doação, recolhendo o sangue e incentivando a participação, para que assim, todos que quiserem tenham a oportunidade de realizar esse ato sem aborrecimentos. Além disso, cabe às escolas oferecer aos alunos, por meio de um acordo com médicos, rodas de conversa, dessa maneira “quebrando” paradigmas e alertando sobre a importância de se ajudar a salvar vidas por meio das doações de sangue. Sendo tudo isso realizado, então o conto “A terceira margem do rio” voltará a ser apenas uma história e não mais uma associação aos obstáculos da doação sanguínea.