Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 04/08/2020
De acordo com a frase do célebre René Descartes, “Penso, logo existo”, a condição de existência advém da possibilidade de pensar. Analogamente, isso poderia ser atribuído a temática de doação de sangue, “Existo, logo devo doar”. Isso porque, para fins evolutivos, a espécie humana deveria agir colaborativamente. No entanto, no Brasil, o referido assunto enfrenta problemas: a cultura de recompensa e o individualismo humano.
Primeiramente, na intenção de ter adultos doando sangue, faz-se necessário incentivar as crianças a praticarem tal ato. No caso do Brasil, diferentemente, não há nenhuma matéria destinada a esse assunto, dificultando, por sua vez, o incentivo anteriormente citado. Ademais, o que há são trocas, doação de sangue por um dia de folga, ou até mesmo um desconto na inscrição de um vestibular. Porém, isso está errado, uma vez que cria adultos interessados em uma determinada recompensa e, não, na causa em si. Com efeito, a tal cultura de recompensa tende a ser repassada às gerações futuras, as quais não estarão, preferencialmente, preocupadas, por exemplo com a disponibilidade de sangue nos hemocentros. Portanto, impulsionar as crianças, desde a gênese educacional, a serem futuros doadores é fundamental, tendo ciência de que, constitucionalmente, para muitos brasileiros, o direito à vida é negado, pois a não doação de alguém os impedem de viver.
Em segundo lugar, o senso comum, frequentemente, vincula a falta de conhecimento a não doação de sangue. Todavia, mesmo que parte do território brasileiro seja desprovido, infelizmente, de recursos tecnológicos, há uma grande parcela da população que tem acesso à internet, ao conhecimento e, mesmo assim, não é um doador. Em confirmação disso, vale mencionar a pesquisa feita pelo Mistério da Saúde, a qual prova que, dentre aqueles que têm acesso à internet, menos da metade vai ao hemocentro doar sangue. Desse modo, nota-se a influência do individualismo humano sobre a referida temática, mostrando, assim, a necessidade de mudanças no tocante da educação que, para o educando Paulo Freire, é considerada uma agente impulsionadora de mudanças.
Enfim, vê-se que o cenário esmiuçado urge por mudanças. Dessa forma, o Ministério da Educação, a fim de impedir que a cultura de recompensa, assim como o individualismo brasileiro, sejam repassando às próximas gerações, criará uma disciplina, nomeada de: “Existo, logo devo doar”. Para isso, será acrescido ao currículo escolar de todos os estudantes, do primário ao médio, uma aula semanal dessa matéria, que será ministrada por profissionais da área de saúde. Com efeito, não só os paradigmas atrelados a este assunto deixarão, aos poucos, de existir na sociedade brasileira, mas também o ato de doar sangue deixará de estar atrelado a recompensas governamentais.