Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 09/08/2020

A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, garante, em seu artigo sexto, uma série de direitos sociais. Dentre eles, está o direito à vida juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar de tal garantia, o que se percebe, na sociedade brasileira atual, é a não aplicação desse direito na prática, visto que o país enfrenta obstáculos para a doação de sangue, fazendo com que esse seja um problema expressivo que se sustenta pela ausência de políticas públicas e pela falta de consciência social.

Em primeiro plano, nota-se que a ausência de políticas públicas é causa expressa da questão. Sobre isso, Abraham Lincoln, célebre personalidade política americana, disse, em um de seus discursos, que a política é serva do povo e não o contrário. Em relação a tal afirmação, nota-se uma inconformidade sobre as dificuldades para ser um doador sanguíneo e a atuação do Estado brasileiro, no sentido de que, ao contrário do que Lincoln explanou, a política atual não serve o povo com ações, planos e metas públicas que atuem incentivando a população a doar sangue voluntariamente, fazendo com que a resolução do problema seja quase utópica.

Em segundo plano, a falta de consciência social tem papel coadjuvante em relação ao impasse. Nessa lógica, Karl Marx teceu diversas críticas em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Em se tratando das dificuldades para aumentar a quantidade de bolsas sanguíneas nos hemocentros, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, pois o Estado não promove a conscientização social, acerca da responsabilidade social de doar sangue frenquentemente e das consequências dos bancos de sangue estarem vazios, em nenhuma de suas instâncias, como escola ou os meios de comunização, ferindo, assim, a cidadania e as garantias constitucionais.

Por fim, medidas são necessárias para a resolução do cenário. Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, deve criar um projeto sócio-educativo, com oficinas, palestras e debates, para promover a conscientização social sobre os desafios do ato de transfusão sanguínea no Brasil. Tais eventos devem ter alcance nacional, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo, por exemplo, para que se apresentem as principais questões do tema. Espera-se, dessa forma, que a população possa ser inteirada sobre a importância de doar sangue e que o problema seja minimizado. Somente assim, a Constituição Federal brasileira consumará todo sentido.