Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 12/08/2020
O sangue é definido como um tecido essencial no que tange ao transporte de estruturas necessárias para a homeostase corporal, entre elas estão os eritrócitos, os leucócitos e as plaquetas. Visto isso, a importância desse recurso biológico ainda não é muito conhecida pela população, já que se vê a falta de estoques de sangue, principalmente, por uma falta de iniciativa social no sistema de doação, bem como por baixos investimentos em postos coletores. Além disso, a falta de doadores também é justificada por um discurso preconceituoso sobre a inviabilidade do sangue dos pertencentes a comunidade LGBT+, na qual se destacam os homossexuais.
Em princípio, com uma taxa de 2% de contribuidores, de acordo com o Ministério da Saúde, a população não é engajada nas doações de sangue. Isso se deve à falta de acesso a estruturas coletoras e a conclusões feitas sem um conhecimento prévio acerca das vantagens e do funcionamento detalhado. Devido a isso, diversas instituições necessitam adiar procedimentos importantes, como cirurgias, pois não possuem estoque do tipo de sangue preciso, mesmo que existam milhões de pessoas que poderiam passar por esse processo simples e contribuir para a melhora do sistema de saúde do país.
Outrossim, no século XX, foi difundida a informação de que o sangue dos homossexuais era contaminado com o vírus HIV, logo, não seriam viáveis para doar. Assim, uma percentagem populacional foi excluída do processo e até hoje é acometida pelo preconceito causado por essas proposições ultrapassadas. Nesse viés, nota-se que mesmo com o avanço das pesquisas científicas e esclarecimentos dados por profissionais da saúde renomados, como Dráuzio Varela, de que todos os indivíduos têm a mesma probabilidade de contraírem doenças, a exemplo do HIV e da hepatite, algumas instituições ainda persistem nessa intolerância. Ainda que revogada recentemente a restrição de doação por homens homossexuais, não é o suficiente para mudar uma mentalidade historicamente consolidada.
Portanto, medidas devem ser tomadas para estimular a caridade e diminuir preconceitos infundados, com o fito de otimizar ao máximo o sistema de doações de sangue. Inicialmente, é necessário um investimento estatal na melhora das estruturas dos postos coletores, de modo que a distância não seja uma barreira os contribuintes. Ademais, escolas devem incluir um ensino mais eficiente sobre assuntos envolvidos na formação de cidadãos instruídos e solidários, por meio da explicitação da importância de participações sociais, entre elas, as doações, e da desconstrução de discriminações.