Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 14/08/2020

Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. No entanto,  atitude de doar sangue, vai de encontro a essa tese, posto que esse ato solidário tem sido negligenciado por muitos. Nesse sentido, é notório que falta de informação contribui para a perpetuação desse dilema. Além disso, a deficiência estrutural influencia na recaída do número de doadores. Dessa forma, institui-se a essencialidade em abranger o discurso voltado aos obstáculos para a doação de sangue no Brasil.

A priori, é visível que o descaso no que tange o debate a respeito da importância da doação atua como catalisador no esgotamento das reservas dos bancos de sangue. Nesse viés, a Constituição Federal determina que o direito à informação é considerado um direito fundamental numa sociedade democrática. Contudo, o atual cenário nacional deturpa essa asserção, posto que, mesmo com iniciativas como o " Junho Vermelho", os setores responsáveis ainda falham em relação a distribuição de informações sobre a necessidade de doar sangue, bem como na ampliação de campanhas publicitárias nos meios midiáticos em todos os períodos do ano e não só em um determinado mês. Com isso, infere-se a substancialidade de uma atuação mais promissora dos agentes superintendentes.

Em segunda instância,o livro " Utopia", do filósofo Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual um corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, partindo desse pressuposto, a deficiência de hemocentros  no âmbito brasileiro demonstra o distanciamento da realidade utópica vivenciada na obra literária. Nessa perspectiva, é visível a  defasagem estrutural para o recolhimento de sangue, haja vista que o país não possui suporte suficiente, tal como o baixo número de hemocentros instalados nos estados brasileiros, além  da deficiência de agências transfusionais nos hospitais. Sendo assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, apenas 1,6% da população doa sangue.

Em síntese, diante dos fatos citados, reflete a necessidade em concretizar atitudes para reduzir esses impasses. A princípio, cabe ao Ministério da Saúde, responsável pela promoção nacional da saúde pública, em parceira com o Ministério das Comunicações, elaborar uma ampliação nas campanhas de conscientização, por meio da criação de vídeos em forma de comerciais e propagandas que seriam exibidos diariamente nos principais veículos de informação, como canais de TV e redes sociais, com o objetivo de alcançar o maior número de pessoas e incentivar-las a exercerem a solidariedade. Ademais, o MS em junção com o Governo Federal, deve promover a implantação de hemocentros em diversas cidades do Brasil, e, assim a taxa de voluntários aumentaria e ajudaria os pacientes que carecem de transfusão sanguínea. Dessa forma, o pensamento de Franz Karfka irá se materializar.