Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 16/08/2020
O sangue humano pode ser classificado conforme a presença de proteínas nas hemácias. Entre as variações possíveis, encontra- se o sangue A, AB, B e O. Em síntese, essa variabilidade reforça a necessidade de doações sanguíneas, porém tal atividade enfrenta barreiras no Brasil devido ao caráter individualista da população somado com a crise de saúde pública.
A princípio, o fenômeno da globalização ligado ao desenvolvimento das práticas capitalistas criaram um cenário propício para caracterizar a civilização contemporânea como individualista. Essa característica provoca a diminuição dos atos de solidariedade pelos seres humanos, por exemplo a doação de sangue. Pois, segundo Bauman, a sociedade atual vive em uma “modernidade líquida” e os “indivíduos líquidos” estão apenas preocupados em buscar o sucesso pessoal sem se preocupar com o bem-estar coletivo. Portanto, essa ideia explorada pelo sociólogo ilustra a falta de empatia social perante a doação sanguínea, visto que essa ação visa satisfazer apenas o receptor do sangue.
Além disso, a saúde pública do país enfrenta problemas econômicos no seu funcionamento, impossibilitando muitas doações de sangue devido à falta de estrutura necessária para tal prática. De acordo com dados do Banco Mundial, em 2018, apenas 3% do orçamento brasileiro foi investido em saúde, enquanto os países desenvolvidos aplicaram, em média, 7% no setor. Sendo assim, os problemas financeiros governamentais agravam as dificuldades para realizar doações sanguíneas, já que o baixo capital depositado na área da saúde reflete na precariedade de hospitais e serviços públicos prestados à sociedade. No entanto, a Constituição Federal de 1988 garante o direito à saúde para todos os cidadãos. Logo, deveria ser dever do Estado proporcionar uma melhor rede de infraestrutura para a nação, principalmente, através dos hemocentros, pois eles são a base para salvar vidas.
Dessa forma, é possível analisar que fatores de cunho social e econômico são os principais responsáveis por barrar o desenvolvimento das doações de sangue no Brasil. Por isso, é necessário que o Ministério da Economia crie um programa que beneficie indivíduos que realizam, de forma anual, esse tipo de doação, por meio da isenção de impostos federais. Logo, tal ação provocará um aumento na quantidade de doares disponíveis.