Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 20/08/2020
No limiar do século XVII, Voltarie, em sua obra “Cândido ou Otimismo” promovera profunda ruptura com a filosofia romântica de Leibniz ao ironizar a compreensão de que se vivia no melhor dos mundos possíveis. Paradoxalmente, na sociedade brasileira contemporânea, esse pensamento permite estabelecer um paralelo com a precária falta de disponibilidade de sangue nos hospitais, uma vez que esse importante ato de solidariedade é tão pouco discutido. Com efeito, a compactuação da sociedade e a má influência midiática corroboram aos obstáculos para a doação de sangue.
Em primeiro plano, é válido destacar que o empecilho em ser solidário, resulta no brasileiro não doando sangue regularmente, assim, os estoques continuam diminuídos e sua necessidade se mantêm constante. Em “A Microfísica do Poder”, o sociólogo Michel Foucault, a partir do conceito de “Disciplina”, defende que a sociedade e as ideologias impostas trabalham juntas a fim de criarem um corpo social passivo e resignado. Dessa forma, o alto índice de violência no atual panorama social brasileiro, arquiteta-se na necessidade de doações constantes. Isso porque, nas minímas expressões, relevante parcela da população reproduz em suas ações cotidianas de momentos de festividade, o aumento de acidentes ocasionando na diminuição de sangues disponíveis. De outra parte, muitos, por descrença, não consideram a viabilidade de transformação dessa realidade, e se tornam inertes diante desse cenário -analogamente ao que Focault afirmara em sua base teórica.
Ademais, em um segundo plano, a marcante inabilidade das mídias em implementar políticas públicas de conscientização acerca da doação de sangue, intensificam na sua falta na sociedade. Produto, de acordo com Pierre Bordieu - o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão -. Sob essa ética, a mídia foi criada como instrumento de informação, e quando não cumpre isso, se torna um mecanismo de opressão comprometendo a saúde publica e dificultando um simples ato. Em vista disso, a falta de divulgação mostram-se inertes, corroídas pela apatia interpenetra-se na sociedade de modo marcante.
Torna-se evidente, portanto, que o silenciamento das redes midiáticas e a compactuação da sociedade estimulam nos obstáculos da doação de sangue no Brasil. Nesse contexto, a fim de construir, nas minímas manifestações uma sociedade pautada na empatia, o Governo Federal junto das mídias deve promover - a partir de expressivos esforços- políticas públicas de conscientização da importância das doações direcionadas a população, por meio de redes televisas e aumentando os postos de coletas. Essas ações devem ser concretizadas a respeito da temática e suas consequências advindo dessa problemática. Assim, nasce uma nação verde-amarela que se baseará na conscientização e orgulhará Voltarie.