Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 04/10/2020

A série norte-americana “Grey’s Anatomy”, retrata a rotina de médicos que constantemente encaram um cenário necessitado de ofertas sanguíneas para tratar seus pacientes, sendo que a maioria desses enfermos só se recuperam devido às transfusões. Consoante ao seriado, a situação da saúde brasileira não foge desse panorama carente de doações de sangue, uma vez que o país ainda enfrenta obstáculos na contribuição desse recurso. Nesse sentido, destaca-se sendo algumas dessas barreiras o silenciamento midiático e o individualismo.

A princípio, pode-se apontar como um empecilho a consolidação de uma solução, a má influência midiática. Assim, conforme o discurso do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Entretanto, dados do Ministério da Saúde apresentam um índice de 16 doadores para cada grupo de mil habitantes, o que mostra uma pobreza de concessores. Nessa perspectiva, observa-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a importância da doação de sangue, influência na estabilização do problema.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no comportamento individualista presente na sociedade nacional. Dessa forma, segundo o filósofo francês Émile Durkheim, a solidariedade social é fruto da consciência coletiva. Entretanto, na obra “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois para se colocar no lugar do outro e promover um ato de solidariedade, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a falta de consciência da importância de doar sangue, funciona como um forte obstáculo para sua resolução.

Portanto, é nítido que os empeços para a contribuição sanguínea no Brasil precisam ser superados, uma vez que são intensificados pelo descaso midiático e pelo egocentrismo da população. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde em parceira com mídias de grande acesso, criem projetos — como campanhas, palestras e eventos aberto ao público, — que conscientize a nação sobre a importância da doação de sangue e as vidas que as transfusões podem salvar. Ademais, é preciso que essas ações sejam expostas nas redes sociais desse órgão e nos comerciais televisivos, — apresentando entrevistas com profissionais da saúde e pessoas que se recuperaram devido ao auxílio sanguíneo recebido, —  rompendo o comportamento individualista e influenciando assim, a doação desse tecido.