Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 25/09/2020

Em meados de 1940, na segunda guerra mundial, a transfusão de sangue se tornou uma prática amplamente usada na Europa. Gestos de humanidade em meio à um conflito tão desumano. Nesta perspectiva, a doação de sangue tem sido vital para muitas pessoas, mas que vem enfrentando obstáculos no Brasil. Visto isso, tem-se como principais limitantes do aumento do número de doações no país: a proibição de transfusão dos homossexuais, e a falta de campanhas publicitárias à favor dessa causa.

Diante o exposto, nota-se que o preconceito contra as doações da sociedade LGBT são oriundas de um fato histórico. Na década de 80, a epidemia da Aids atingiu em maioria os gays, “grupos de risco” da época. Neste sentido, o Brasil excluía e ainda excluí a transfusão de homossexuais. Entretanto, a orientação sexual não pode ser critério da solução, e sim a condição de saúde do indivíduo doador, uma vez que o HIV também é transmitido entre heterossexuais. Contexto esse tratado no filme “filadélfia’’ de 1993, que toma como pauta toda a discriminação que o protagonista sofre quando converte a Aids.

Ademais, o Brasil é um país que conta com apenas 1,8% da população para fazer doações, quando o ideal determinado pela OMS é que esse percentual esteja entre 3 e 5 %, segundo dados do Ministério da Saúde. Visto isso, o reflexo desses números está no parco investimento governamental em campanhas publicitárias na grande mídia, causando desconhecimento e até mitos e tabus sobre os efeitos da transfusão sanguínea, como medo de alteração do corpo, entre outros. Assim, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda, em um país com altas taxas de violência e muitas datas comemorativas (período em que as doações são menores).

Sendo assim, cabe ao Executivo à suspensão da lei que trata da proibição das transfusões dos homossexuais, além de incentivá-los a doar, por meio de campanhas publicitárias físicas (outdoors) ou na grande mídia, com o objetivo de acabar com esse limitador do aumento da parcela doadora brasileira. Ademais, é preciso que haja uma parceria público-privada entre o Ministério da Saúde e grandes empresas, que garantam uma relação de benefícios trabalhistas ao funcionário que doar sangue casualmente - como ocorre nos países europeus - para que o “doar” se torne não só um ato de bondade, mas também um ato de cidadania.