Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 30/08/2020
A condição de existência, de acordo com a frase do célebre René Descartes, “Penso, logo existo”, advém da possibilidade de pensar. Analogamente, tal perspectiva poderia ser atribuída à temática de doação de sangue, “Existo, logo devo doar”. Isso porque, para fins evolutivos, a espécie humana deveria agir colaborativamente. Porém, no Brasil, o assunto abordado enfrenta problemas: a cultura de recompensa e o individualismo humano.
Em primeiro lugar,, na intenção de ter adultos doando sangue, faz-se necessário incentivar as crianças a praticarem tal ato. No caso do Brasil, não há, por exemplo, nenhuma matéria destinada à temas como esse, o que acaba dificultando a realização desse incentivo. Além disso, o que há são trocas, doação de sangue por um dia de folga, ou até mesmo um desconto na inscrição de um vestibular. No entanto, isso é errado, porque cria adultos interessados em uma determinada recompensa e, não, na causa em si. Com efeito, o repasse dessa cultura às gerações futuras tendem a acontecer, assim, ter conhecimento acerca da disponibilidade de sangue nos hemocentros deixa de ser o foco do brasileiro. Logo, impulsionar as crianças, desde a gênese educacional, a serem futuras doadoras é essencial, tendo ciência de que, consoante a Constituição de 1988, todos têm direito à vida,mas esse é negado à muitas pessoas, pois a não doação de alguém as impedem de viver.
Em segundo lugar, o senso comum, frequentemente, vincula a falta de conhecimento a não doação de sangue. Todavia, mesmo que parte do território brasileiro seja desprovido de recursos tecnológicos, há inúmero indivíduos que tê acesso à internet, ao conhecimento, e, mesmo assim, não é doador. Frente a isso, vale mencionar os resultados de pesquisas feitas pelo Ministério da Saúde, os quais provam que, dentre aqueles que têm acesso às plataformas digitais, menos da metade vai ao hemocentro doar sangue. Desse modo, nota-se a influência do individualismo humano sobre a referida temática, mostrando, assim, a necessidade de mudanças no tocante da educação que, consoante o educando Paulo Freire, é uma agente fomentadora de mudança.
Enfim, vê-se que o cenário exposto urge por mudanças. Dessa forma, o Ministério da Educação, a fim de impedir o repasse da cultura de recompensa, assim como o individualismo brasileiro, às próximas gerações, criará uma disciplina, nomeada de: “Existo, logo devo doar”. Para tal fim, será acrescido no currículo escolar de todos os estudas, do primário ao médio, uma aula mensal dessa matéria, que será ministrada por profissionais da área de saúde. Por conseguinte, não só os paradigmas atrelados a esse assunto deixarão, ao poucos, de existir na sociedade brasileira, mas também o ato de doar sangue deixará de estar atrelado a recompensas governamentais.