Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 10/11/2020
Durante a Segunda Guerra Mundial, surgiram os primeiros bancos de sangue e sua transfusão tornou-se rotina na prática médica, sendo decisiva para salvar civis. Atualmente, essa prática altruísta continua sendo responsável por salvar muitas vidas e, embora o número de doadores voluntários tenha crescido nos últimos anos, a procura ainda é maior que a oferta, o que gera um desfalque no estoque de sangue no Brasil. Nesse contexto, superar os desafios para doação de sangue é uma problemática para o país, tendo em vista a falta de uma cultura de doação e que geram consequências para a saúde.
Em primeiro plano, vale destacar que, até a década de 80, o Brasil remunerava os doadores, prática que se tornou proibida pela Constituição de 1988. Assim, é notável que o país não cultivou o costume de doar sangue de maneira espontânea e altruísta, sendo um fator relevante para que a população desconhecesse a importância de ser um doador. Além disso, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 30% das pessoas têm receio em doar por medo de sangue, injeções ou desmaios. Logo, esses dados refletem a desinformação da população frente a importância da doação de sangue e os mitos das “agulhadas” durante a ação.
Outrossim, a união desses fatores resulta na carência de doações, gerando consequências negativas para o corpo social. Sob tal ótica, a falta de doadores de sangue tem impacto principalmente no tratamento dos pacientes graves que, às vezes, precisam de transfusão imediata, como a doença da talassemia, e as cirurgias podem acabar sendo suspensas por falta de sangue. Portanto, de acordo com a doutrina utilitarista de Jeremy Bentham, a ação do indivíduo deve ter como finalidade proporcionar a maior quantidade de bem-estar ao maior número de pessoas possível, ou seja, doar é sinônimo de ajudar muitos pacientes hospitalizados diariamente.
Em suma, a doação sanguínea necessita medidas que ampliem o número de doadores e desmistifiquem concepções do senso comum. Para tanto, o governo, junto ao Ministério da Saúde e da Educação, deve investir em projetos nas escolas de educação básica sobre o hábito da doação de sangue por meio de materiais lúdicos e didáticos, que desmistifiquem os tabus acerca da doação, como livros e revistas em quadrinhos, objetivando despertar nos indivíduos, desde cedo, o desejo de doar sangue constantemente quando atingirem a idade permitida. Ademais, é preciso incentivar a doação do público apto a realizar o procedimento, como promovendo a ida em conjunto de alunos e professores em hemocentros para doação periódica, como ocorre no Instituto Federal do Espírito Santo, a fim de estimular o altruísmo nesses indivíduos.