Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 16/09/2020
Segundo o escritor Franz Kalfa, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Contrário a isso, na sociedade contemporânea, são observados diversos obstáculos quanto a doação de sangue, que deveria ser um ato de solidariedade prestado pelos indivíduos. Logo, pode-se apontar como obstáculos para a doação de sangue a negligência governamental e os fatores socioculturais enraizados na sociedade.
Em primeiro lugar, cabe a análise do descaso governamental para com as doações de sangue. Vale ressaltar que a falta de políticas públicas, campanhas e incentivo diminuem a ida de voluntários aos hemocentros, além disso, existe a taxa de pessoas com a falta de conhecimento sobre como as doações funcionam, a qual não costuma ser explicada. De acordo com Durkheim, a solidariedade social é fruto da consciência coletiva, isso significa que sem a conscientização, debate, incentivo e propaganda por parte do Estado, o hábito de doar sangue não é criado na população. Dessa forma, mortes diárias nos leitos de hospitais continuam a acontecer, o que evidência falhas no sistema governamental brasileiro.
Outrossim, o preconceito enraizado na sociedade acaba diminuindo consideravelmente a quantidade de doadores. Exemplo disso é a norma criada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que impede a doação de sangue por parte dos homossexuais e acabou sendo aderida por todo o mundo. Já no Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai contra esse pensamento e afirma que homossexuais podem ser doadores, além disso vale ressaltar que dos 101 milhões de homens brasileiros, 10,5 são homossexuais, o que comprova a perda desnecessária de voluntários. É importante afirmar que a Constituição de 88 garantiu que os indivíduos seriam tratados igualmente perante a lei, porém é nítido que isso não tem acontecido.
Evidencia-se, portanto, a necessidade do atenuamento dos obstáculos apontados. Para que a quantidade de voluntários aumente e que a campanha de doação seja melhor propagada, o Ministério da Saúde precisa rever os conceitos da privação de alguns indivíduos não poderem participar da doação, por meio de um projeto à Câmara dos Deputados que pedirá a alteração das normas propostas pela OMS no Brasil. Atrelado a isso, os agentes midiáticos, a fim de promover incentivo e conscientização, devem por meio de propagandas, anúncios e comerciais, anunciar a necessidade de doadores solidários para ajudarem no banco de estoque de sangue. E, por sua vez, a população se unir e ajudar aos que precisam indo a hemocentros. Assim, da mesma maneira que Franz Kalfa ressaltou, a sociedade possa alcançar o respeito pela dignidade humana através da solidariedade.