Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 10/09/2020

No século XIX a medicina dava mais um passo de grande importância na história: foi realizada a primeira transfusão de sangue bem-sucedida, pelo cientista James Blundell. Dessa forma, hoje, para que haja pleno gozo dessa prática médica é necessário que haja doadores de sangue para abastecer os estoques. Entretanto, nota-se que há um baixo número de pessoas que doam periodicamente. Dessa maneira, é imperioso entender os contribuintes para isso, como a falta de êxito governamental e a forma da abordagem escolar ao tema.

Primeiramente, a inexpressiva eficácia do governo suscita a falta de doação de sangue. Segundo a Constituição de 1988, um dos direitos dos cidadãos assegurado no artigo V é a vida. Sendo assim, cabe ao Estado garantir meios e maneiras de promover uma ampla adesão a doação de sangue, para que seja possível ser usado nos indivíduos que chegarem ao leito de hospital necessitando de transfusão. Embora haja campanhas para tal, ainda são insuficientes, há diversos bancos sanguíneos com estoque escasso, como o do Hospital Universitário Antônio Pedro no ano de 2018/2019, no qual foi preciso grande mobilização estudantil para reabastece-lo. Logo, é notório que o governo deve ser mais ativo e preciso em suas ações.

Ademais, a exposição da temática nas salas de aulas é inadequada. Consoante a Paulo Freire, em seu livro “Pedagogia do Oprimido”, o ensino escolar ocorre de maneira vertical, na qual o aluno só recebe informações, não sendo ativo na construção do conhecimento. Consequentemente, os educandos não criam senso crítico para os assuntos, com falta de reflexão do conteúdo. Isso também ocorre quando se trata de doação de sangue, pois quando é dito de sua importância, sobre esse ato salvar vidas e ser vital para diversos procedimentos médicos, não são os estudantes chegando nessa conclusão, em conjunto, e sim a imposição do tópico discutido. Percebe-se, pois, a necessidade das redes de ensino tratarem esse tópico de forma que os discentes participem da construção do saber.

Medidas, portanto, são necessárias para minimizar o impacto da apatia do Estado e a abordagem escolar nessa problemática.Assim, o Governo, por meio do Ministério da Saúde, deve, em parceria com a mídia, promover campanhas mais eficientes e de forma mais constante.Nelas serão expostas o motivo de ser importante doar sangue e relatos de pessoas que foram salvas devido a transfusão, por meio de comerciais televisivos e anúncios em redes sociais, com o afã de aumentarem o número de doadores.  Além disso, as escolas necessitam abordar o tema por meio de metodologias ativas, como o método aquário, tornando o aluno ativo na construção do conhecimento, a fim de formarem jovens que doem sangue. Dessa forma, será plenamente desfrutada a técnica achada pelo cientista James.