Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 29/09/2020

De acordo com o sociólogo Durkheim, a solidariedade social é fruto da consciência coletiva. Todavia, percebe-se que há entraves na realidade brasileira a respeito da dificuldade de solidariedade de doação de sangue. Diante dessa perspectiva, há de se analisar como fatores políticos e socioculturais influenciam na problemática em questão.

A princípio, é imperativo pontuar que as circunstâncias políticas se mostra um agravante à precária oferta de doadores de sangue. A esse respeito, a Constituição de 1988 – norma de maior hierarquia jurídica brasileira- assegura o direito a saúde aos cidadãos, a mesma é negligenciada pelo seus governantes. Nesse viés, tal conjuntura é intensificada por não haver políticas públicas de incentivo ao senso coletivo a doação de sangue, haja vista que isto interfere parte da população que necessita de transfusão de sangue, como: pacientes com cânceres e bebês prematuros. Assim, enquanto a visão política se mantiver, inúmeros brasileiros permanecerão prejudicados, o que evidencia falhas no sistema governamental brasileiro.

De outra parte, essa situação tem traços socioculturais que perpetuam até os dias atuais. Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde (OMS), alega que cidadãos que tem relações homoafetivas integram o “grupo de risco”, pois nos anos 80 houve um surto do vírus HIV.Dessa forma, o Brasil exclui possíveis doadores por um período de 12 meses, o que diminui significativamente as doações de sangue anualmente, em torno de 19 milhões. No entanto, a OMS reitera que as evidencias são limitas e escassas e estão apoiadas no que alguns médicos chamam de “comportamentos de risco”. Logo, não é razoável que essa conduta contribua para que haja discriminação entre os indivíduos.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de reverter esse cenário atual. Para isso, o Ministério da Saúde, deve estimular a construção de projetos que divulguem a importância das doações de sangue, por meio de verbas governamentais. Essa iniciativa teria como finalidade de promover ás populações uma garantia do seu direito constitucional, como também apoiar estudos que comprovem que relações homoafetivas não sejam um obstáculo para a situação atual, de modo que a solidariedade coletiva dita por Durkheim se consolide.