Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 29/12/2020
“Façam aos outros o que vocês querem que eles façam a vocês”. Essa célebre frase de Jesus de Nazaré apresenta o ideal da empatia e amor ao próximo. Contudo, a realidade nacional não é um exemplo de execução do princípio da solidariedade, como mostra o dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que, em 2014, somente 1,8% dos brasileiros doou sangue. Sob tal ótica, esse ato de generosidade enfrenta perigosos obstáculos para ser um hábito consolidado no Brasil, como a disseminação de informações incorretas e a solidariedade restrita.
Inicialmente, os mitos relacionados ao processo de doação sanguínea atrapalha no crescimento desse costume na população. De acordo com o propagandista nazista Joseph Goebbels, “uma mentira contada mil vezes torna-se verdade”. Diante disso, percebe-se como boatos e alguns conhecimentos baseados no senso comum podem ser perigosos, porquanto há a disseminação de uma ideia que nem sempre é verdadeira. Por conseguinte, pensamentos equivocados de que a ida à hemocentros é complicada, deixa o indivíduo mais fraco ou de que pode haver o risco de contágio prejudicam o aumento de número de voluntários e todo o país acaba perdendo. Nesse sentido, a desinformação à respeito do processo de oferecer parte do próprio sangue dificulta a sua popularização.
Outrossim, a não universalidade da gentileza brasileira é um fator que reduz os atos de generosidade para com desconhecidos. Em consonância com Sérgio Buarque de Holanda, o “Homem Cordial”, que é um retrato do típico brasileiro, se caracteriza por ser extremamente afetivo e solidário com amigos e familiares, porém essa emotividade não se expande para toda a sociedade. Dessa forma, quando algum parente ou conhecido se acidenta, por exemplo, há uma campanha para que se faça uma doação de sangue destinada a ele, todavia, quando são outros os necessitados de transfusão, não se nota a mesma comoção. Dessarte, a voluntariedade restrita ao vínculo afetivo contribui para a insuficiente quantidade de bolsas de plasma, hemácias e plaquetas nos hospitais nacionais.
É mister, portanto, tomar medidas que promovam a suplantação dos desafios para a doação sanguínea no Brasil. Logo, cabe às escolas municipais ensinarem os alunos e responsáveis sobre esse ato, por meio da realização de palestras com médicos e enfermeiros que trabalhem em hemocentros, nas quais será informado quem pode doar, como fazê-lo, locais de coleta próximos e a desconstrução de mitos sobre o processo. Ademais, serão convidadas pessoas que foram salvas devido à tranfusão feita por um desconhecido. Espera-se, assim, reduzir a desinformação sobre essa prática e aumentar o número de atitudes de solidariedade em favor de toda a sociedade a fim de que os ensinamentos de amor ao próximo de Jesus se tornem uma realidade no país.