Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 05/10/2020

Segundo o filósofo grego Platão, “A qualidade de vida é tão importante que supera a própria existência”. Entretanto, ao analisar-se o cenário brasileiro, pode-se perceber que o pensamento do filósofo não é efetivado, porquanto uma grande parcela da população tem a sua qualidade de vida prejudicada pela falta de doadores de sangue. Esse triste e lamentável fato é decorrente da ineficácia estatal, aliada à falta de empatia da população.

Antes de tudo, é válido ressaltar que a absurda e estarrecedora inércia governamental é um fator determinante para a problemática. Consoante a isso, o economista britânico John Maynard Keynes afirmava que é dever do Estado garantir o bem-estar social de toda a sua sociedade. Sob essa óptica, pode-se afirmar que a falta de políticas públicas com o intuito de incentivar a doação de sangue é um contribuinte para a não efetivação do pensamento de Platão, bem como para a degradação do bem-estar social de seus cidadãos.

Outrossim, a baixa empatia da população sobre o ato de doar sangue é outro agravante que contribui para a perpetuação do problema. Paralelo a isso, o pensador polonês Zygmunt Bauman afirmava que a sociedade moderna é massivamente egoísta. Assim, é possível compreender que o egoísmo dos indivíduos faz com que eles não se interessem pela doação de sangue, o que gera, por conseguinte, a degradação da qualidade de vida dos cidadãos que tanto precisam de doação sanguínea.

Diante do exposto, o governo federal deve, em parceria com estados e municípios, investir recursos para garantir a saúde de seus cidadãos, por meio da ampliação dos centros de coleta de sangue nas cidades brasileiras, a fim de aumentar a disponibilidade de sangue e suprir as necessidades dos indivíduos enfermos. Além disso, o Ministério das Comunicações deve, por meio da redução de impostos sobre as emissoras de conteúdo, vincular campanhas nos meios de comunicação, rádio e televisão, sobre a importância da doação de sangue para a preservação de vidas, para não só incentivar a população a doar, mas também permitir a efetivação do pensamento de Platão.