Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 24/10/2020

O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisam os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade, uma vez que os hemocentros, na maioria das vezes, encontram-se desfavoráveis. Problemas como esses são potencializados ora pela inércia estatal, ora pela má formação socioeducacional do brasileiro.

Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, dado que os investimentos destinados a propagandas para que ocorra a disseminação de informações acerca da importância e dos modos de fazer uma doação de sangue segura, são ínfimos. Com isso, sem o devido incentivo governamental, a população torna-se desinformada acerca dos benefícios que a doação pode gerar ao próximo e, por conseguinte, a quantidade de doadores tornam-se escassos, dificultando o acesso para quem espera pelo ato.

Outrossim, o historiador  escocês David Hume afirma que a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento. Sob essa óptica, algumas instituições de ensino possuem um ensino deficitário e pouco preparam os indivíduos para um desenvolvimento aprazível em sociedade, já que esse âmbito possui a função de ativar a criticidade diante dos dilemas do cotidiano. Consequentemente, sem esse amparo escolar, muitos jovens tomam como verdade seu próprio campo de visão , tal ação vai de encontro ao pensamento de Hume, visto que, na prática, seu pensamento não é ativado acerca dos “tabus” ainda existentes sobre a doação de sangue por homens homossexuais, que antes da doação devem passar por regras sanitárias, contradizendo a ANVISA, pois essa firma que  orientação sexual não deve usada como critério para a seleção de doadores.

Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação desse impasse. Para tanto, urge que o Estado aliado à mídia, por meio de verbas governamentais, amplie e divulgue propagandas voltadas para a doação de sangue enaltecendo a importância de doar e os modos de fazer uma doação segura, com o intuito de que mais pessoas sejam beneficiadas. Ademais, é importante que a escola insira nas grades curriculares palestras acerca da doação de sangue, por intermédio de profissionais capacitados para orientar e disseminar a criticidade acerca do assunto, para que os hemocentros possam ser diariamente abastecidos. com isso o ideal de Nietzsche será concretizado.