Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Segundo a visão weberiana, da sociologia de Max Weber, ações sociais são regidas por vontades individuais marcadas por uma intencionalidade, ou seja, baseiam-se no impacto social promovido no coletivo. Nesse contexto, entra a temática da doação de órgãos, uma vez que a atitude individual é capaz de salvar uma vida, além da ação ser sinônimo de incentivo para o restante da população por meio de divulgações adequadas. Portanto, o uso informacional da mídia para estimular a discussão sobre o assunto é essencial para o posicionamento dos indivíduos antes de certa eventualidade, ou seja, a morte encefálica, momento em que torna-se possível a doação.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a escassez da disponibilidade de órgãos deve-se à falta de comunicação e informação acerca da questão. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a recusa familiar é um dos principais motivos desse fato, visto que é necessário a autorização de um familiar para efetivar a doação. Desse modo, consta-se que o tema ainda é pouco debatido no âmbito familiar, já que ocorre a falta de conhecimento sobre a vontade do ente querido. Apesar dessa estimativa, a associação também relatou uma diminuição significativa da lista de espera dos transplantes de órgãos em 2019, então o pensamento sobre a doação está popularizando-se.

Outro ponto relevante, em segundo plano, é a utilização da comoção popular em campanhas, como fez a Fundação Argentina de Transplantes Hepáticos em um vídeo chamado de “O homem e o cachorro”. Tal propaganda demonstra a companhia que um cachorro faz a um idoso, até o dia em que seu dono é levado ao hospital e falece. Por conseguinte, a cena muda para uma mulher sob uma cadeira de rodas no mesmo hospital e o animal corre até ela, pois a jovem foi salva pelo idoso, o dono do cachorro. Dessa forma, a campanha promove um sentimento interno nos indivíduos de tornarem-se doadores também, despertando uma vontade coletiva para a ação social por meio da propaganda emocionante.

Logo, visto que a fila de espera de transplantes no Brasil ainda é extensa, medidas públicas são fundamentais para amenizar o impasse. Assim, urge que o Ministério da Saúde contrate profissionais qualificados de marketing e promova campanhas publicitárias, pelas verbas governamentais, para aumentar a quantidade de doadores. Ademais, cabe ao terceiro setor, formado por associações que buscam melhorar a qualidade de vida do povo, a divulgação do assunto na mídia, por meio de blogs, como ferramenta de engajamento social. A partir dessas ações, espera-se a expansão da visibilidade sobre a temática da doação e a ampliação de ações sociais com intenções solidárias.