Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 17/10/2020
Em um dos episódios da série brasileira ‘‘Sob Pressão’’, o paciente da médica Carolina perdeu muito sangue em uma tentativa de suicídio. Para salvar a vida dele, era necessário realizar uma transfusão porém o hemocentro do hospital estava vazio. Nesse contexto, ainda que distante das telinhas, muitos indivíduos que necessitam realizar transfusões não as fazem dado a indisponibilidade daquela solução. Isso se deve a falta de conscientização dos brasileiros e a existência de algumas normas. Logo, é indubitável a necessidade de se ultrapassar os obstáculos da doação de sangue no Brasil.
Diante do exposto acima, ressalta-se que a não preparação desde a infância para que o indivíduo seja doador de sangue ocasiona a incompreensão acerca da importância desse ato. Nessa perspectiva, segundo o filósofo britânico David Hume, os homens são governados por interesse levando-os a realizarem apenas aquilo que irá lhes favorecer. Sob essa óptica, muitos brasileiros não são doadores voluntários haja vista que essa ação, na concepção própria, não irá trazer benefícios à ele e por isso tal feito não é necessário ou relevante. Isso é percebido nos dados do Ministério da Saúde que apontam que apenas 1,6% da população brasileira é doadora daquele líquido, não respeitando a recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas) que pede que os países tenham de 3 a 5% do público como doador evidenciando a falta de percepção sobre a importância do assunto.
Outrossim, salienta-se que algumas normas para realizar a doação de sangue são empecilhos para muitos brasileiros que desejam efetivar aquele gesto. Nesse sentido, ainda que o artigo 5° da Constituição Federal de 1988 explicite que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” é evidente que a orientação sexual de quem doa é um fator que reduz a disponibilidade de sangue nos hemocentros. Desse modo, pessoas saudáveis que poderiam doar ficam à margem dos centros de coleta dada a generalização das regras. Exemplo disso é o caso do paulista Alexandre Macedo que ao tentar doar sangue foi impedido ao relatar que era homossexual, mesmo obedecendo aos requisitos demonstrando que diversas regras existentes são prejudiciais ao abastecimento dos hemocentros brasileiros.
Logo, é vital que se reverta o panorama da doação de sangue no país. Para isso, é possível que as Secretárias de Saúde promovam a conscientização sobre a importância das doações por meio de campanhas públicas, como ações sociais e palestras, para se reduzir a escassez de sangue nos hospitais. Ademais, é viável que a Câmara dos Deputados revise as diretrizes existentes através de um projeto de lei que reduza as restrições impostas aos indivíduos, como o impedimento de homossexuais de doar, afim de aumentar o número de doadores e reduzir o caso de pacientes como o da série.