Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 08/11/2020
No seriado espanhol “La Casa de Papel”, a personagem Nairóbi, durante a realização de uma cirurgia emergencial, necessita de receber sangue para permanecer viva. Similarmente, fora da ficção, é evidente a importância da doação de sangue para manutenção das vidas brasileiras. No entanto, é válido pontuar a insuficiência estatal e o descompromisso da população como obstáculos para o aumento do número de doadores.
Em primeiro plano, é preciso destacar o descaso estatal em aumentar o número de doadores como óbice nesse infortúnio. Nesse aspecto, segundo a presidente da Fundação Hemope, Yêda Maia de Albuquerque, muitos hospitais do Nordeste não têm agências transfusionais – responsável por gerenciar o estoque das bolsas de sangue e fornecer assessoria técnica-. Nessa perspectiva, é indubitável que o déficit de recurso público direcionado para a construção de pontos de doação, melhoria das agências já existentes, bem como promoção de campanhas fomentadoras do ato de doação, corrobora nos baixos índices de doação de sangue em relação à totalidade da população. Dessa maneira, é substancial mudança desse quadro de insuficiência para aumentar o número de transfusões de sangue no Brasil. Ademais, a inércia social é outro impasse recorrente, porque impossibilita o aumento do número de doadores. Nesse âmbito, o “Eclipse da consciência”, termo descrito pelo autor José Saramago no romance “Ensaio sobre a cegueira”, sintetiza a ideia da imperiosa sensibilidade humana perante as dificuldades enfrentadas pelo próximo, nesse caso, a falta de aptidão da comunidade civil em doar sangue para quem necessita. Nessa óptica, cometidos por esse fenômeno muitos cidadãos, apesar de terem consciência da importância da doação, não se mobilizam em promover a ação e ignoram a querela em discussão, fator que acarreta, de modo nefasto, na invisibilização deste cenário hodierno. Dessa forma, é fundamental mudança dessa situação de imobilização social para evitar maiores riscos à saúde pública.
Depreende-se, portanto, que os obstáculos para doação de sangue no Brasil são circunstâncias nocivas carecedoras de soluções. Logo, cabe ao Ministério da Saúde fomentar melhorias nas agências transfusionais - sobretudo nas áreas vulneráveis e longe dos centros-, por meio de recurso público, a fim de que as pessoas tenham assistência adequada durante o processo de doação. Outrossim, os recursos midiáticos, como programas de televisão e de rádios, devem promover o incentivo à doação de sangue, por meio de conversas sobre o assunto, com o objetivo de que as pessoas se mobilizem pela causa.