Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 23/10/2020

Na série televisionada “Sob Pressão”, diversos médicos vivenciam uma rotina com inúmeros desafios para alcançar o objetivo de salvar a vida de seus pacientes. Um dos fatores que contribuem como obstáculo é a ausência de estoque de sangue, que por muitas vezes assume a responsabilidade de prolongar a longevidade dos doentes. Tal fator transpassa o cenário fictício e se faz presente também, no cenário contemporâneo brasileiro. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude de práticas individualistas e silenciamento por parte do Estado à nível social.

Em primeiro plano, é preciso atentar que o individualismo é um fator determinante na persistência desse impasse. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada por práticas individualistas. Logo, é possível verificar que a ausência de consciência coletiva inibe práticas empáticas como, por exemplo, a iniciativa de se tornar um doador de sangue com a finalidade de realização de benefício do próximo e sucumbindo a possibilidade de sobrevida de pacientes em situação de risco.

Além disso, segundo o sociólogo Émile Durkheim é de responsabilidade do Estado o gerenciamento de questões que envolvam a coletividade, com a intenção de estabelecer seu bem-estar. No entanto, a tese adotada se faz presente apenas na teoria, haja vista a negligência do poder público em disseminar informações, nos veículos midiáticos, que abordem a importância da doação de sangue para a preservação da vitalidade dos cidadãos brasileiros. Nessa perspectiva, fica nítido que o silenciamento sobre o tema influencia diretamente na baixa quantidade de sangue em estoque nos hospitais.                   Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Educação organizar, por meio de verbas governamentais, palestras que sejam webconferenciadas, ministradas por médicos, responsáveis por exporem a importância e relação das células sanguíneas e a restauração de vidas humanas. Logo, a médio prazo, será possível a partir dessa ênfase atingir o maior público possível e romper, desse modo, com o conjunto silente e omisso de informações que deveriam ser destinadas à população.