Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 20/10/2020

A expressão “homem cordial”, criada pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, remete à solidariedade e empatia do homem brasileiro. Entretanto, tal cordialidade não vem sendo representada no que diz respeito à doação de sangue no Brasil, visto que tal ação, embora salve vidas, está diminuindo cada vez mais, seja por falta de informação, seja por fatores socioculturais. Em primeira análise, é possível perceber que muitos brasileiros não sabem os requisitos para doação de sangue. Para doar, é necessário ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50kg e estar em boas condições de saúde. Porém, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 2020 é o 4º ano de queda no número de doações, apesar do aumento da demanda. Outrossim, vale ressaltar que questões socioculturais dificultam o processo. Prova disso é que até o mês de maio de 2020, era proibida a doação por parte de homossexuais, fato sustentado por um resquício histórico preconceituoso relacionado à transmissão de AIDS e HIV nas décadas de 1980 e 1990. Tal proibição foi posteriormente derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), permitindo, assim, a quebra de alguns tabus, visto que todo sangue recebido nos hemocentros é testado. Diante do exposto, é necessário buscar medidas para combater essa mentalidade preconceituosa no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde, atrelado à mídia, deve promover campanhas informativas sobre a importância da doação de sangue. Tais campanhas deverão ser transmitidas em forma de propagandas nos principais veículos de comunicação. Esses comerciais devem visar desmistificar e informar todo o processo de coleta e transfusão de sangue. Em suma, essas campanhas servirão para conscientização de que o homem brasileiro pode tornar-se ainda mais cordial e ter a satisfação de ajudar a salvar uma vida.