Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 22/10/2020
A série norte-americana “The good doctor” mostra, ao decorrer da trama, como a transfusão sanguínea pode salvar vidas, quando feita dentro do período hábil. Nesse sentido, a ficção cinemática diverge da realidade brasileira, a qual enfrenta obstáculos para garantir as doações de sangue no território nacional. Essa realidade se deve, essencialmente, pela falta de informação social, bem como pelos mitos que circundam a respeito da temática.
Em primeiro plano, é possível destacar que a ausência de informações e a não conscientização são fatores que desempenham resistência a problemática. Nesse contexto, segundo Zygmunt Bauman, as relações sociais, políticas e econômicas são características de uma sociedade líquida. Sob esse viés, é possível perceber que, no Brasil, a falta de informação diante da doação de sangue favorece essa premissa, haja vista que de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 3,3% das mortes são de pessoas que não receberam transfusão de hemácias devido a deficiência nos bancos de sangue. Diante disso, a persistência de desinformação favorece a perpetuação dos obstáculos contra a doação de sangue e torna as relações entre pessoas cada vez menos sólidas.
Outrossim, pode-se destacar os mitos que circundam como agente impulsionador do impasse. A esse respeito, de acordo com Hebert Spencer, antropólogo inglês, a sociedade evolui como um organismo vivo, o qual os elementos constitutivos da sociedade assumem o papel de órgãos e esses atuam no controle de todo o conjunto. À vista disso, observa-se que quando há carência no fluxo de informações acerca de determinado assunto, sua exatidão passa a ser fragilizada afastando o ouvinte. Dessa forma, mitos como doação de sangue provoca anemia ou engorda, causa medo nos indivíduos os quais constroem uma barreia negativa em torno da ação de doar sangue, afetando diretamente nos dados estatísticos.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Desse modo, o Ministério da Saúde deve, por meio de verbas governamentais, criar campanhas midiáticas e televisivas, as quais elucidem a importância da doação de sangue e os seus benefícios, objetivando aumentar o número de pessoas que são doadoras de sangue, podendo assim disseminar informações válidas a favor de tal prática. Ademais, o Governo Federal em conjunto com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) possam, através de políticas públicas, elaborar uma cartilha nacional a ser inserida nas escolas, em todos os níveis, contendo dados objetivos e informativos acerca da doação de sangue, desmistificando os mitos que a acercam. Sendo assim, espera-se uma sociedade mais crítica e informada, sendo menos alienada as mitologias.