Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é a sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nessa perspectiva, um simples ato pode transformar e salvar várias vidas, como após o deslizamento do Morro do Bumba, em Niterói, em 2010. Centenas de pessoas se prontificaram a enviar água e mantimentos àqueles que perderam tudo com a chuva. No entanto, em outros casos, há empecilho que dificulta o processo de ser solidário, como acontece em relação à doação de sangue no Brasil.

Em primeiro plano, a falta de informação corrobora para e desconhecimento sobre a importância d doar sangue. As campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores é sempre menor do que a real demanda. No estado da Bahia, por exemplo, nos meses de fevereiro a junho, há grande concentração de eventos, como o Carnaval e as Festas Juninas, por conseguinte, maior ingestão de bebidas alcoólicas e motoristas embriagados, o que provocam o aumento de acidentes no trânsito. Assim, a exposição deste problema pelos meios de comunicação e o incentivo a novos doadores ainda são escassos.

Em segundo plano, a doação de sangue feita por homossexuais é um obstáculo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os cidadãos que têm relações homoafetivas constituem o chamado grupo de risco, pois, nos anos 80, houve o auge da epidemia do vírus HIV. Nesse sentido, o Brasil exclui a doação feita por essas pessoas que tenham realizado sexo até a prazo de 12 meses. Entretanto, a orientação sexual não pode ser o critério de seleção, ma sim a condição de saúde dos indivíduos, uma vez que a Aids também é transmitida por heterossexuais. Com isso, tal parcela fica à margem de exercer a solidariedade e salvar vidas.

Por fim, torna-se necessário superar as barreiras que interferem na doação de sangue. Para tanto, a mídia tem papel imprescindível na exposição de dados informativos sobre as campanhas de sangue, seja na televisão e internet, ou em áreas físicas, como outdoors. Logo, os cidadãos seriam incentivados a exercerem a solidariedade. Ademais, o governo, em parceria com a OMS, deveria alterar as leis que excluem os homossexuais da doação e investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Dessa forma, o número de voluntários aumentaria e ajudaria os pacientes que carecem de transfusão sanguínea.