Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 16/01/2021
O seriado ‘‘Grey’s Anatomy’’ narra, em um de seus episódios, a situação de pacientes que necessitam de transfusão sanguínea mas não podem recebê-la devido à falta de sangue nos estoques. No entanto, tal realidade não é exclusividade da ficção: muitos hospitais sofrem, na atualidade, com a escasses de bolsas para transfusão, o que representa grave risco para a saúde da população. Deve-se, destarte, combater a individualidade, principal causa da incipiente doação, além da omissão estatal na promoção de estratégias efetivas para mitigar a falta de fluido sanguíneo nas unidades de saúde.
Nessa perspectiva, o egoísmo dos indivíduos colabora para que a falta de sangue seja uma realidade nos hospitais. Nesse sentido, o filósofo Adam Smith, considerado o pai do liberalismo, entendia que apenas a atitude individual era realmente valorosa e que os atos em prol do coletivo representariam fraqueza. No entanto, apesar de séculos de progresso, o ideário de Smith ainda permeia a consciência da população, que, desse modo, acaba por não se importar com a solidariedade, fator primordial das campanhas de doação de sangue, de forma que os hospitalizados tenham que conviver com o risco de não conseguirem transfusões. Assim, é inadequado que o individulismo de parte da sociedade coloque a vida e a saúde de outros em xeque.
Ademais, a gestão governamental é inerte em promover ações efetivas de coleta de sangue nas suas campanhas. Nesse seguimento, a Organização Mundial da Saúde, a OMS, definiu, em 1948, que as autoridades estatais são responsáveis pela garantia do bem-estar da população. Ocorre que, no Brasil, as autoridades investem em métodos pouco eficazes de convocação de doadores, os quais, dessa maneira, acabam por ser escassos, bem como os estoques dos bancos de sangue. Dessa forma, faz-se necessária a ampliação e a alteração das campanhas, de modo a garantir a segurança das reservas de fluido sanguíneo, e, por consequência, a saúde dos brasileiros.
Portanto, para solucionar a problemática da incipiente doação de sangue, urge que o Ministério da Saúde busque alternativas viáveis e criativas para aumentar a coleta sanguínea, a fim de assegurar a integridade dos estoques. Isso poderia ser feito por meio da criação de um aplicativo disponível ao público, o qual agendaria a coleta de sangue na residencia do doador por um profissional, de modo que o auxílio coletivo se sobreponha aos interesses individuais. Desse modo, poder-se-á mitigar a inércia estatal, de modo que a saúde dos hospitalizados seja garantida, tal qual objetivado pela OMS.