Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 09/11/2020
Promulgada em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a campanha junho vermelho tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância de doar sangue, que de uma forma metafórica, pode ser visto como doação de vida. Embora o país possua um número gradual de doadores anual, em períodos de grande movimentação, como por exemplo o carnaval, o estoque de bolsas disponibilizadas pelos hemocentros tornam-se insuficientes. Nessa mesma linha de pensamento, faz-se necessário analisar quais são os principais obstáculos para tal problemática. Dentre eles, pode-se citar a falta de políticas públicas, assim como, as inúmeras restrições feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sobre os requisitos que deliberam a doação.
Como ponto inicial, é imprescindível abordar a escassez de ações governamentais que instiguem a sociedade a desenvolverem atos altruístas. Para o escritor inglês Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesse sentido, o que ocorre em alguns casos é a carência de meios que possam transmitir a necessidade vigente dos hospitais, que estão com baixo estoque, até à população, responsável por reabastecer as bolsas de sangue. Isso, acarreta um baixo percentual de litros sanguíneos, tornando o processo de mentalidade acerca desse tema lento e utópico.
Sob outro viés, as exigências requeridas pela ANVISA são de caráter discriminatório. Apenas um certo grupo muito pequeno de indivíduos estão aptos para doar. Dentre as exigências, incluem-se a exclusão de pessoas asmáticas, homossexuais e bissexuais, o que deixaria margem para uma parcela pequena da população brasileira. Como efeito, tem-se um número abaixo do esperado, que delimitado pela OMS, espera-se que a cada mil pessoas, pelo menos uma ajude a causa. Porém, essa marca nem sempre é alcançada, o que gera a morte de milhares de seres humanos que ao estarem entre a vida e a morte contam com a ajuda dos demais.
Em vista dos fatos supracitados, é necessário que medidas sejam tomadas, com o objetivo de solucionar esse desafio no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, deveria investir mais em campanhas que pudessem por meio das redes de comunicação atingir os cidadãos, conscientizando-os acerca do tema tratado. Esses investimentos poderiam ser feitos ao destinar as verbas públicas utilizadas na saúde para a realização desse projeto. Também, o mesmo agente poderia rever as restrições feitas para a doação de sangue, eliminando requisitos que seriam apenas discriminatórios. Finalmente, espera-se que assim os obstáculos em torno da mesma possam ser solucionados.