Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 19/11/2020
Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a doação de sangue apresenta muitas barreiras no Brasil, as quais geram escassez nos bancos sanguíneos. Logo, esse cenário antagônico é fruto tanto da herança cultural da população quanto da falta de estrutura. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de resolver o problema e se chegar à Utopia de More.
Precipuamente, é imperativo ressaltar que a falta de consciência dos brasileiros promove o problema. Partindo desse pressuposto, observa-se que, nunca aconteceram grandes campanhas para doação de sangue no Brasil. Ademais, não existem projetos que incentivem e alertem a população sobre a importância de fazer isso rotineiramente e de forma voluntária. Com isso, segundo o Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população brasileira tem o hábito de salvar vidas com essa simples atitude, número muito abaixo dos 3% a 5% estipulados pela Organização das Nações Unidas. Dessa maneira, faz-se mister uma reformulação cultural, com intuito de mudar o pensamento dos cidadãos sobre o assunto e tornar isso algo normal no Brasil.
Outrossim, é fulcral pontuar que a pouca qualidade estrutural para doação de sangue deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Acerca dessa lógica, segundo o pensador Thomas Hobbes, “o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população”, no entanto isso não ocorre no Brasil. Sob essa ótica, devido a falta de atuação das autoridades, não é suficiente apenas aumentar o número de doadores voluntários, mas também, melhorar as estruturas de armazenamento e transfusões, já que estas são precárias e insuficientes. Desse modo, é evidente que a postura estatal precisa ser alterada para acabar com a perpetuação desse quadro deletério.
Portanto, com intuito de mitigar a escassez dos bancos sanguíneos brasileiros e melhorar sua capacidade de conservação, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será repassado às prefeituras municipais. As quais, ficarão encarregadas de desenvolverem projetos de incentivo à doação de sangue, por meio de palestras e histórias de pessoas que sobreviveram à doenças ou acidentes graças aos doadores voluntários. Ademais, cada estado do país também receberá verbas que deverão ser destinadas a construção de hemocentros tecnológicos e com grande capacidade. Destarte, será mitigado a problemática e a coletividade alcançará a Utopia de More.