Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 10/11/2020
Em um dos episódios da série americana “Grey´s anatomy”, é narrada a história de uma paciente que necessita de uma transfusão sanguínea urgente, mas não foi possível devido à escassez dos estoques do hospital. Fora da ficção, esse é apenas um dos obstáculos enfrentados pelos pacientes brasileiros que necessitam da doação de sangue, visto que essa não é tratada como prioridade no país. Desse modo, destacam-se o individualismo e a omissão do Estado como agravantes da problemática.
Convém salientar, primeiramente, que o individualismo e a falta de solidariedade colocam em risco a vida daqueles que necessitam de uma transfusão de sangue. Segundo o filósofo Adam Smith, apenas a busca por interesses pessoais levará a sociedade ao progresso, e a benevolência humana à fraqueza. Tal egocentrismo idealizado por Smith é fortemente perpetuado no Brasil. Por conta disso, substancial parcela da população é indiferente à necessidade alheia e se recusa a participar de iniciativas de doação de sangue. A exemplo, em outubro de 2020, o Hemorio emitiu um alerta devido a uma queda de 10% no número de doações.
Outrossim, ressalta-se a omissão do Estado brasileiro na causa pautada. Em 1948, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu que as autoridades deveriam ser responsáveis pela manutenção da saúde pública. Entretanto, isso está longe de ser realidade no Brasil, visto que as ações de incentivo à doação de sangue promovida pelo Governo são mínimas e ineficientes, o que resulta na escassez dos bancos de sangue. Nesse sentido, enquanto o descaso das autoridades for regra, um número ideal de doadores será exceção.
Diante dos fatos supracitados, observa-se que é de extrema importância aumentar o número de doadores sanguíneos regulares no país. Dessa forma, é imperioso que o Ministério da Saúde faça parcerias com empresas privadas, por meio da cessão de benefícios àqueles funcionários colaboradores, como a oferta do dia da doação como dia de folga, a fim de fomentar, nos cidadãos, a regularidade da prática. Assim, os brasileiros serão incluídos na realidade dos hemocentros, convertendo-se em mais informados e empáticos.