Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 10/11/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) garante a todos os indivíduos o direito à vida, saúde e ao bem-estar social. Conquanto, hordienamente, são encontradas inúmeras barreiras para a execução desses direitos, uma vez que a falta de doação de sangue ocasiona a escassez de estoque nos hospitais, impossibilitando que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Todavia, ocupando a nona posição na economia mundial, segundo o Banco Mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Entretanto, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na negligência e na compactação da sociedade que se omite diante de tal situação. Segundo o Ministério da Saúde, apenas 1,6% dos brasileiros são doadores de sangue, representando menos da metade do índice considerando ideal pela ONU que é em torno de 4%. Diante do exposto, é claro a negligência populacional e estatal, causando deficit no estoque de reposição de sangue nos hemocentros.
Faz-se mister, ainda, salientar o fato dos homossexuais não poderem manter relações sexuais durante o período de um ano antes da doação como impulsionador desses baixos índices de doações. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações políticas, sociais e econômicas é a característica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, na década de 80, eles eram considerados vulneráveis por serem a maioria dentre os contaminados pela AIDS. Porém, atualmente, os riscos são iguais independente da orientação sexual e todos sangue coletados são analisados antes da ultilização. De fato, é criticável que concepções históricas ultrapassadas não permitam maiores contribuições nas doações.
Infere-se, portanto, é indispensável a adoção de medidas capazes de mitigar os obstáculos para a doação de sangue no Brasil. Logo, cabe ao Supremo Tribunal Federal deve revogar o critério de doação imposto aos homossexuais quanto ao tempo de abstinência sexual antes da doação. Junto a isso, o Ministério da Educação deve elaborar campanhas de conscientização nas escolas, com o intuito de esclarecer dúvidas existentes. Nesse sentido, o fito de tal ação é informar a população e desconstruir certos estigmas. Somente assim, esse problema será, gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel o Pensador “na mudança do presente a agente molda o futuro”.