Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 14/11/2020

A Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura a saúde como direito social a todos os cidadãos. Contudo, esse documento é ferido com a diminuição nas doações de sangue, o que leva diversos pacientes a complicações e, em alguns casos, à morte. Desse modo, essa problemática é originada, sobretudo, ora pela falha no viés político-estrutural, com a ineficiência das campanhas, ora por fatores sócio-culturais, o que leva a sociedade a negligenciar a importância desse ato. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar da teoria malthusiana, postulada por Thomas Malthus no século XVIII, a qual diz que a população cresceria em progressão geométrica os recursos vitais em progressão aritmética. Hodiernamente, essa tese aplica-se ao cenário brasileiro e aos impasses da doação de sangue, haja vista a diminuição dela e o crescimento populacional, fomentadas pela falta de políticas públicas que intensifiquem e distribua as diligências doárias, que contribuem, consequentemente, para ineficácia delas. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 16 a cada 1000 brasileiros doam plasma anualmente, o que evidencia a urgência de campanhas eficientes.

Outrossim, é conveniente ressaltar a frase do livro de Platão, onde diz “Absortos, silenciosos, observando no fundo da caverna como fosse de fato a realidade”. Em vista disso, essa sentença reflete a negligencia da população quanto as transfusões sanguíneas, uma vez que é motivada pela falta de informações e conhecimento da importância desse ato. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 40% dos doadores são os chamados de reposição, ou seja, só doam quando algum amigo ou parente precisa, assim, diminui consideravelmente o estoque nos bancos de plasma, futuras transfusões e trivializa situações problemáticas na sociedade, o que mostra que quando não doar é regra, o bem estar humano é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, a capacitação de profissionais a ministrarem aulas e oficinas que, com materiais didáticos apropriados, e abrangendo pais e alunos, mostre à comunidade escolar a importância das transfusões sanguíneas e como elas podem salvar a vida do próximo, com o fito de aumentar o conhecimento, a eficiência das campanhas e criar um hábito na população. E só assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir os impasses da doação de sangue no Brasil e fazer valer a Carta Magna de 1988.