Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 18/11/2020

A pandemia do novo coronavírus colocou em alerta a hemorrede brasileira. No entanto, as dificuldades enfrentadas na doação de sangue no país são consequências de autarquias estratégicas pouco envolvidas, como os ministérios. Soma-se isso ao insistente e tóxico preconceito à alguns grupos da população que tende a ignorar a ciência.

Nesse cenário, é possível notar que a epidemia do vírus da AIDS, a qual obeteve seu auge durante os anos 80 e 90 no Brasil, possuiu efeitos que contaminam inclusive os dias atuais. Haja vista que o estado brasileiro permitiu somente em 2020 que homens homossexuais doassem sangue, mesmo com provas científicas de anos atrás que comprovam a contaminação pelo HIV, entre outras formas, através de relações sexuais desprotegidas, o que isenta automaticamente a estigmatização dessa população em relação à doação sanguínea. Por sua vez, essa é mais uma prova do volume demasiado e negativo do preconceito que o Brasil ainda vivencia, mesmo após a criação da Constituição de 1988.

Em outro aspecto, a ausência de envolvimento de outras instituições públicas em defesa da superação dos obstáculos desse problema é outra falha perversa. Em outras palavras, apesar das manifestações do Ministério da Saúde para a conscientização da importância dessas doações, como ocorre, por exemplo, no dia mundial da doação de sangue (25 de novembro), os demais ministérios permanecem taciturnos. Logo, eles contribuem para a perpetuação dos obstáculos.

Portanto, faz necessário que o Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde por meio de palestras e publicidade, não apenas em datas específicas, disseminem a importância do ato da doação a fim de fomentar o aumento no número de doadores. Somado a isso, é preciso que ONG’s em conjunto com às Unidades Básicas de Saúde dos bairros promova eventos de conscientização em locais públicos objetivando a descronstrução de estigmas e mitos que ainda condenam a ação. Assim, será possível pensar em um aumento significativo de doadores no país.