Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 18/11/2020
Em 1927, a descoberta do fator Rh pelo cientista austríaco Karl Landsteiner permitiu relevantes avanços à ciência em geral, sobretudo à uma questão problemática até então: a doação de sangue. Quase um século depois, as oportunidades propiciadas pelo feito do europeu encontram obstáculos para se terem seu potencial usufruído no Brasil, seja pelo progresso do liberalismo, seja pela omissão governamental.
A princípio, o avanço de políticas liberais dificulta a resolução desse impasse. A esse respeito, Adam Smith - pai do Liberalismo - afirma que somente o individualismo é capaz de trazer progresso e tece críticas à benevolência humana. Ocorre que a doação de sangue, ação solidária, vai em rumo contrário à teoria do filósofo, de sorte que deixa de ser praticada devido ao egocentrismo fomentado por esse ideal, resultando, não raro, em cenários como bancos de sangue vazios mesmo em grandes hemocentros. Assim, não é razoável que o progresso seja paralelo à solidariedade em uma nação pós-moderna.
De outra parte, se faz notório o papel agravante da omissão estatal na perpetuação dessa mazela. Sob essa ótica, em 1948, a Organização Mundial da Saúde definiu que as autoridades de cada país seriam responsáveis pela manutenção da saúde pública de forma eficaz. Entretanto, apesar da existência de campanhas que incitem a doação, segundo o Ministério da Saúde, apenas 1,6% da população brasileira doa sangue, o que ilustra a ineficácia dessas medidas e a distância do ideal proposto pela OMS. Dessa forma, enquanto a falha do Estado for a regra, doações sanguíneas serão raridade em território tupiniquim.
Posto isso, faz-se evidente a necessidade de atenuação da situação. Cabe, portanto, ao governo federal, por meio dos Ministérios das Comunicações, Educação e Saúde, tornar a doação de sangue algo comum no Brasil. Para que isso ocorra, devem ser realizadas palestras nas escolas com profissionais da saúde e pessoas que já foram salvas por doações de sangue, a fim de elucidar os jovens de todas as idades, sobre a importância dessa ação na sociedade. Além disso, esse projeto pode se chamar “Nosso Sangue” e contar com ampla divulgação nos meios de telecomunicação. Desse modo, será possível, no país, usufruir de forma veemente das conquistas de Landsteiner.