Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 19/11/2020

A série americana “Grey’s Anatomy” relata casos de pacientes que prolongaram a sua longevidade, graças a realização de diversas transfusões plasmáticas. Contudo, o que fora exposto na obra cinematográfica encontra-se distante da atualidade, a julgar pela eclosão de um quadro marcado pela ausência de doadores de sangue no Brasil. Sob esse viés, para a solução dessa heterogeneidade é válido averiguar as suas causas: a desinformação e a limitação indevida de certos grupos sociais.

A priori, vale destacar que o sociólogo Émile Durkheim frisava que o Estado se responsabilizava pelo gerenciamento das questões que envolvam a coletividade, com a intenção de estabelecer o seu bem-estar. No entanto, a tese adotada pelo intelectual manteve-se na teoria, haja vista o descaso do poder público em propagar informações, nos veículos midiáticos, que abordam a importância da transferência sanguínea para a preservação da vitalidade de inúmeros cidadãos brasileiros. Em vista disso, é inevitável o surgimento de crises nos hospitais hemocentros, em virtude da falta de conhecimento do âmbito populacional.

Outrossim, a existência de atos discriminatórias contribuem para a persistência da adversidade. Paralelo a isso, o 5º artigo da Constituição de 1988 afirma que todos são iguais perante à lei, sem haver distinção de qualquer natureza. Entretanto, tal prerrogativa não fora efetivada, tendo em vista a restrição de indivíduos homoafetivos no que tange à disponibilização de seu plasma para os necessitados, visto que são considerados, pelas organizações governamentais, disseminadores do vírus HIV. Sendo assim, torna-se indiscutível a redução do número de doadores voluntários, devido a presença de um regulamento preconceituoso, o qual leva em consideração a orientação sexual, ao invés da qualidade do sangue.

Portanto, é mister a adoção de medidas que atenuam o impasse, como a atuação do Ministério da Educação em organizar, por meio das verbas governamentais, palestras em espaços públicos, totalmente gratuitas , para que todos tenham acesso, ministradas por médicos, responsáveis por exporem a relevância do papel das células sanguíneas no que refere-se à restauração de várias vidas humanas, com o propósito de aumentar as taxas de doadores na contemporaneidade e, também, colocar em ação o que fora estipulado pela Carta Magna de 1988.