Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/11/2020

O artigo 196 da Constituição Federal de 1988 garante que a saúde é direito de todos e dever do Estado, principalmente, no que se refere a sua prevenção, promoção, proteção e recuperação. No entanto, na contemporaneidade, nota-se que essa garantia constitucional está sendo negligenciada uma vez que existe uma queda nos estoques de sangues, o que pode inviabilizar a realização de alguns procedimentos médicos. Nesse âmbito, pode-se analisar que os obstáculos para a doação de sangue no país ocorre devido a falta de conscientização da população e a deficiência estrutural dos locais de coleta.

Inicialmente, é importante ressaltar que existe uma baixa conscientização da população sobre a importância da doação de sangue. A exemplo disso, os dados publicados pelo Ministério da Saúde, em que afirma que, em média, 16 a cada mil habitantes doaram esse fluído humano. Desse modo, percebe-se que essa prática não faz parte do hábito brasileiro em razão de ser pequeno o número de doadores voluntários - aqueles que doam regularmente - pois  grande parte da população acredita em diversos mitos relacionados a esse exercício, como por exemplo a perda repentina de peso e a diminuição drástica no níveis de ferro no sangue. Com isso, é gerado uma minimização nos bancos sanguíneos disponíveis, o que causa prejuízos a saúde pública devido a negligência na realização de hemoterapias nos pacientes.

Ademais, é imperativo pontuar que a deficiência estrutural dos locais de coleta é um problema preponderante a doação de sangue no país. Tendo como exemplo disso, os números divulgados pelo Ministério da Saúde, o qual afirma que, existem no Brasil, aproximadamente, 27 hemocentros e 500 serviços de coleta, em que expõe uma certa concentração espacial. Isso acontece devido ao legado histórico-cultural da urbanização brasileira, em que privilegiou cidades grandes e médias em razão das disponibilidade de capital e habitantes, o que dificulta o acesso de pessoas que residem em pequenas cidades por não existirem esses locais que realizam a coleta do material sanguíneo. Consequentemente, para que esses cidadãos interioranos consigam realizar a doação de sangue, em alguns casos, é necessário executar uma locomoção intermunicipal.

Portanto, é notório que há obstáculos no que tange à doação de sangue no território brasileiro. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as mídias tradicionais, como televisão e rádio, criar propagandas socioeducativas sobre a importância da realização dessa prática, por meio da declaração de profissionais formadores de opiniões, especialmente, o Doutor Dráuzio Varella, que irá desmitificar alguns assuntos relacionados a doação, a fim de aumenta o número de doadores no país.