Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 29/11/2020
Falta de incentivos e propagandas. Desinformação e superficialidade. Individualismo. São diversos os obstáculos para a doação de sangue no Brasil. Consoante os dados do Ministério da Saúde de 2017, apenas 1,6% da população brasileira são doadores – mesmo com a possibilidade de salvar inúmeras vidas o número ainda é preocupante. Nesse sentido, faz-se necessário as ações para popularizar essa “contribuição” salvadora de vidas.
Primeiramente, é notória a importância da disseminação das informações de forma correta e eficaz. No entanto, nem o governo brasileiro, nem o sistema de saúde nacional, conseguem divulgar ou criar campanhas eficientes para incentivar a doação de sangue. Nesse sentido, o pensamento do filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella problematiza a situação, uma vez que segundo o mesmo não é suficiente ter as informações, mas é preciso transmiti-las de forma coerente. Por isso, os órgãos públicos precisam revisar suas propagandas.
Ademais, é possível perceber que a falta de empatia se tornou um dos obstáculos a essa ação social. Visto que, a doação de sangue se torna uma atividade irrelevante em uma sociedade movida pelo consumo - como explica o sociólogo Zygmunt Bauman em seus estudos sobre “Modernidade Líquida” -, na qual a ideia de coletividade e de companheirismo são substituídas pelo individualismo, ou seja, as ações solidárias só serão importantes se cobrirem os prazeres pessoais. Dito isso, os laços empáticos e a cultura de solidariedade precisam ser revitalizados.
Infere-se, portanto, que superficialidade das informações e a sociedade consumidora são obstáculos à doação de sangue no Brasil. Por conta disso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, deve expandir os meios de veiculação das informações e propagandas, com o uso das mídias digitais, rádios e televisão, com anúncios mais persuasivos e eficientes. Para que assim, as informações sejam utilizadas de forma correta, conforme os pensamentos de Mario Sergio Cortella, valorizando a empatia e vencendo os obstáculos contra a doação de sangue em território nacional.