Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Quando o assunto é doação de sangue, segundo a Organização Mundial da Saúde, o recomendado é que 3% a 5% da população participe. Além disso, o parâmetro mínimo para suprir a demanda básica é 1%. Dessa forma, embora o Brasil tenha um percentual aceitável de 1,6%, de acordo com o Ministério da Saúde, existem fatores que impedem uma melhora nessa condição, por exemplo, o preconceito, bem como o desconhecimento sobre o assunto e sua importância.

A priori, é oportuno frisar que esse quadro de desrespeito para com os princípios democráticos estão relacionados diretamente com o preconceito e a catequização. Sob tal ótica, Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ’’ Raízes do Brasil’’ afirma que um dos legados mais impactantes advindo da colonização portuguesa foi a religiosidade, que em conjunto promove o julgamento de tudo aquilo que foge do considerado padrão para eles. Conforme o portal Jusbrasil, quase 18 milhões de brasileiros são homossexuais, o que significa que até meados de 2020 uma parte significativa dos cidadãos eram proibidos de participar de algo extremamente importante e que salva milhares de vidas. Todavia, isso acontecia, pois, consideravam esses indivíduos como um grupo vulnerável e com grandes riscos de contaminação de Infecções Sexualmente Transmissíveis, mas que, na verdade, é algo que acomete a toda a humanidade sexualmente ativa. Em suma, é nítido que a participação degaysainda é muito recente e existe um longo processo para que efetivem a inclusão plena no sistema.

A posteriori, vale salientar que os seres humanos em sua maioria não detém o conhecimento a respeito do processo de doação, dos requisitos necessários e de como funciona a recuperação. Nesse contexto, quando o filósofo Francis Bacon afirma que ‘‘Quanto mais conhecimento a humanidade possuir melhor ela se torna’’ ele tem total razão. Afinal, se as pessoas tivessem essa informação, de modo efetivo e com uma linguagem compreensível, que estimulasse a participação seria possível amenizar os obstáculos para a questão sobredita. Certamente, uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde 40% dos brasileiros acredita que doar sangue irá trazer algum problema imunológico e 57% não conhece os mecanismos da doação. Em síntese, é notório que quando conhecimento é fabricado é possível que existam avanços.

Em face do exposto, é perceptível que o problema é complexo, mas existem maneiras de progredir. É preciso que o Ministério da Educação e da Saúde, por meio de verbas destinadas ao ensino, promovam palestras que atendam a sociedade em geral, possuindo diversidade de dias e horários, com uma linguagem fácil e atrativa. O grande objetivo é amenizar os empasses para doação, e consequentemente aumentar  os bancos de sangue, fazendo com que atendam a demanda do país.