Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 05/12/2020

Stuart Mill, filósofo inglês do século XIX, propôs na sua ética utilitarista o princípio da maior felicidade, na qual a ação tida como moralmente correta aquela que proporciona a felicidade para o maior número de indivíduos. Nessa perspectiva, ao analisar o cenário das doações de sangue no Brasil, percebe-se que a lógica do utilitarismo não é posta em prática, em virtude das restrições impostas para a realização da doação, bem como da fragilidade das relações sociais. Nesse contexto, urge analisar como o individualismo e a escassez estrutural de bancos de sangue impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que a carência de doações de sangue está intrinsecamente relacionada ao individualismo que emerge na sociedade. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 1,6% dos brasileiros doam sangue. Nesse viés, o baixo índice de doações ocorre, sobretudo, devido às ações individualistas que permeiam a sociedade e que visam beneficiar apenas interesses pessoais dos indivíduos. Diante disso, milhares de cidadãos que necessitam de transfusões de sangue, muitas vezes, não conseguem pela falta de plasma nos hemocentros e, consequentemente, acabam vindo a óbito.

Outrossim, vale salientar como a escassez estrutural de hemocentros dificulta a realização das doações de sangue. Segundo o Ministério da Saúde, há no Brasil cerca de 32 bancos de sangue públicos. À esse respeito, os hemocentros , em sua maioria, estão dispersos de forma desigual pelo território nacional, fato que corrobora para a limitada adesão dos indivíduos a doação. Tal panorama impossibilita que mais cidadãos realizem esse procedimento, haja vista que um público significativo que possui o desejo de doar não residem em locais que possuem esses estabelecimentos e, dessa maneira, optam por não praticar esse ato de solidariedade, em decorrência da necessidade de  deslocamento para outras cidades.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas para incentivar a doação de sangue no âmbito social. Logo, cabe ao Ministério da Saúde promover nas escolas palestras e debates, desde as séries iniciais, os quais estimulem o senso crítico dos discentes a doarem sangue na fase adulta e desconstruam concepções individualistas. Isso deve ser feito por meio de profissionais capacitados na área , como médicos e enfermeiros, a fim de atenuar atos pouco coletivos e empáticos e, posteriormente, tornar o convívios social harmônico.