Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 08/12/2020
Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à saúde pública, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que potencialmente minimizariam os obstáculos para a doação de sangue no território nacional. Em vista disso, faz-se mister desvendar as origens e analisar as consequências dessa problemática, a fim de mitigá-la.
Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem como função preservar o bem-estar social entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que assegurem o pleno exercício da doação de sangue no território nacional - fiscalizando as regras dos hemocentros brasileiros, por exemplo - permite que a falta de doações seja uma realidade contundente no país. Assim sendo, é possível inferir que, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.
Além disso, as repercussões desse imbróglio são incontestáveis. Nesse sentido, convém salientar que a falta de doações está diretamente relacionada aos critérios discriminatórios para seleção de doadores. Exemplo disso é a restrição de homens homossexuais na coleta do sangue, fenômeno que está em desacordo com os preceitos da Carta Magna brasileira. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito à vida, o que, infelizmente, destoa da realidade do país, uma vez que, de acordo com o site de notícias G1, o Brasil desperdiça 18 milhões de litros de sangue ao ano por preconceito. Dessa maneira, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse problema, de modo a cumprir a Lei Maior.
Finalmente, para mitigar os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado Mais Sangue, tendo como objetivo a fiscalização das regras dos hemocentros brasileiros, assegurando que a orientação sexual não seja usada como critério para seleção de doadores, bem como garantindo que não haja desperdício de sangue no território nacional. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, assim como ocorre no ideal de More.