Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 09/12/2020
De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população brasileira doa sangue, número pequeno comparado com o potencial do país. Nesse âmbito, observa-se que esse dado nefasto é decorrente dos obstáculos para doação de sangue no Brasil e, em virtude de serem condições maléficas, medidas são necessárias para mitigar as causas existentes. Ademais, a insuficiência estatal e o descompromisso da população são agravantes do infortúnio.
Em primeiro plano, é preciso destacar o descaso estatal como óbice nessa problemática, pois torna utópico o aumento do número de doações. Nessa óptica, o Abraham Lincoln, célebre personalidade política americana, disse, em um dos seus discursos, que a política é serva do povo e não o contrário. No entanto, essa não é a realidade notada no país, visto que é evidente o déficit de recurso público direcionado para a construção de pontos de doação com profissionais capacitados, melhoria das agências já existentes, bem como promoção de campanhas fomentadoras do ato de doação voluntário, fator que corrobora a manutenção dos desafios para ampliação do número de doadores. Dessa maneira, é substancial alteração desse quadro de insuficiência para aumentar o número de transfusões de sangue no Brasil.
Além disso, a inércia social é outro aspecto recorrente, porque dificulta o aumento do número de doadores. Nessa óptica, o “Eclipse da consciência”, termo descrito pelo autor José Saramago no romance “Ensaio sobre a cegueira”, sintetiza a ideia da imperiosa sensibilidade humana perante as dificuldades enfrentadas pelo próximo, nesse caso, a falta de aptidão da comunidade civil em doar sangue para quem precisa. Nessa perspectiva, cometidos por esse fenômeno, muitos cidadãos, apesar de terem consciência da importância da doação, não se mobilizam em promover a ação e ignoram a querela em discussão, fator que acarreta, de modo nefasto, na invisibilização deste cenário hodierno. Dessa forma, é fundamental mudança dessa situação de imobilização social para evitar maiores riscos à saúde pública.
Depreende-se, portanto, que os obstáculos para doação de sangue no Brasil são circunstâncias maléficas carecedoras de soluções. Logo, cabe ao Ministério da Saúde fomentar melhorias nas agências transfusionais - sobretudo nas áreas vulneráveis e longe dos centros-, por meio de recurso público, a fim de que as pessoas tenham assistência adequada durante o processo de doação. Outrossim, os recursos midiáticos, como programas de televisão e de rádios, devem promover o incentivo à doação de sangue, por meio de conversas sobre o assunto, com o objetivo de que as pessoas se mobilizem pela causa. Somente assim, poder-se-à formar uma sociedade com diversos doadores.