Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 13/12/2020

Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna - norma de maior hiearquia jurídica nacional - e estebeleceu, em seu artigo 6º, a saúde como direito social de todos. Todavida, as dificuldades vivenciadas pelos cidadãos que necessitam de doação sanguínea revelam que a premissa de Guimarães está distante de ser realidade na contemporaniedade. Com efeito, os obstáculos que envolvem essa questão passam pelo individualismo e pela invisibilidade.

Em primeiro plano, o egocentrismo afeta nocivamente à dignidade humana. Nesse sentido, o filósofo Adam Smith, pai do liberalismo econômico, disserta que o progresso é gerado pela busca dos interesses individuais, e a benevolência é fruto da fraqueza humana. Analogamente, na medida em que substancial parcela da sociedade nega-se a contribuir com as campanhas de doação sangue, perpetua-se na sociedade verde-amarela o cenário de egoísmo apregoado por Smith, pois o sofrimento dos pacientes que essenciais de sangue para tratamentos hemoterapeuticos é fortemente agravado, e isso desrepeita os direitos e garantias individuais do cidadão. Assim, enquanto o indivualismo defendido pelo filósofo for regra no Brasil, a preocupação com a vida alheia será excessão.

Em segundo plano, também persiste no Brasil um problema histórico e cruel relacionado com a doação de sangue: a invisibilidade social. Nesse sentido, a filósofa Simone de Beauvoir disserta que esse fenômeno diz respeito à indiferença de atenção que parte do extrato social é víitma. Ora, a invisibilidade e a indiferença denunciadas por Beauvoir atingem diretamente às pessoas que não tem acesso ao direito à saúde proporcionado pela doação sanguínea, pois, por muitas vezes, a prerrogativa que deveria ser assegurada a todos, permanece oculta para as camadas marginalizadas da sociedade. Logo, enquanto se mantiver esse cenário desigual, a nação será obrigada a conviver com essa grave mazela social, segundo Beuavoir: a invisibilidade social.

Portanto, para garantir a premissa expressa por Guimarães na Constituião Cidadã, e superar os obstáculos do individualismo e da invisibilidade social, o Ministério da Saúde, como órgão responsável pela saúde pública, em parceria com o Ministério da Cidadania, como ente encarregado pela politica de acesso aos direitos sociais, devem, com urgência, promover a campanha “Amigo Sangue Bom”, por meio da divulgação de mensagens de “marketing” na TV, rádio e mídias sociais, a fim de alertar e incentivar a população sobre a necessidade de adesão às iniciativas governamentais para manutenção do estoque de sangue para doação. Destarte, o Brasil alcançará o “status” de Estado Democrático de Direito, e de nação justa e solidária.