Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 29/12/2020

O MIto da Caverna, do filósofo Platão, é uma alegoria que apresenta um grupo de pessoas o qual se recusa a enxergar a verdade a respeito do mundo, em virtude do receio de abandonar a zona de conforto. Em alusão à citação, nota-se a mesma problemática na realidade brasileira no que concerne aos baixos índices de doação de sangue, assunto invisibilizado e insuficientemente combatido pela população. Desse modo, é substancial analisar os entraves referentes à ausência de debates em relação às vantagens da doação e à desmistificação das crenças criadas em torno dessa prática.

Em primeiro plano, é lícito afirmar que o problema encontra terra fértil na falta de conscientização, uma vez que, o indivíduo, sem conhecimento acerca dos benefícios da doação, acaba por não aderir à prática. Nesse viés, o filósofo Schopenhauer traz uma importante contribuição para o assunto ao afirmar que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam sua visão a respeito do mundo. Sob tal óptica, depreende-se que se torna mais difícil angariar doadores de sangue, em razão da ausência de discussão por parte da mídia. Dessa forma, é preciso uma rede de propaganda massiva focada no viés altruísta do ato, a qual deve frisar o poder de salvar vidas por meio do repasse de material sanguíneo, para, assim possibilitar o convencimento de um maior número de cidadãos.

Em segunda análise, verifica-se como outro obstáculo os mitos criados em torno da prática, dado que crenças como a de que o doador está sucetível a contrair doenças difundem-se no âmbito social. Diante disso, o filósofo Habermas defende que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Por conseguinte, para que a problemática seja resolvida, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se que o tema ainda é silenciado e pouco discutido, principalmente no ambiente escolar, local que deveria ser responsável por ensinar aos futuros cidadãos os limites entre verdades e mentiras acerca da doação, como forma de atuar diretamente sobre o problema.

Em suma, medidas são fundamentais para erradicar os entraves relacionados à doação de sangue no Brasil. Dessa maneira, é essencial que o Governo Federal, por intermédio da contratação de empresas de propaganda, crie uma intensa rede de publicidade focada nos benefícios do ato, a qual deve contar com relatos de pessoas as quais foram salvas em razão do recebimento de material sanguínea de outras, para, dessa forma, incentivar a população a aderir à prática. Adicionalmente, é de grande importância o papel das escolas, que devem, mediante os horários extraclasse, promover palestras sobre o tema, abertas a toda a comunidade, a fim de assegurar que mitos parem de ser difundidos. Assim, é necessário que se aja sobre o problema, pois como defendeu Simone de Beauvoir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos.”