Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 23/12/2020
O filme “Todo Poderoso”, apesar de se tratar de uma comédia irreverente, demonstra a importância da doação de sangue quando o personagem principal, após sofre um grave acidente, sobrevive devido a transfusão sanguínea realizada pela sua namorada. Fora da ficção, no Brasil essa prática de solidariedade enfrenta graves desafios, como a falta de empatia de uma parcela significativa da população, além da inobservância estatal, o que faz com que o pais apresente baixíssimos índices de doadores.
Primeiramente, observa-se que o individualismo é uma das principais causas da baixa taxa de doação sanguínea no Brasil. Nesse aspecto, na obra “Cegueira Moral”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata a dificuldade dos cidadãos em enxergarem realidades distintas das próprias, fato que potencializa a escassez de comportamentos empáticos. Isso é confirmado, uma vez que grande parte da população julga não haver necessidade em doar sangue, ou banaliza esse ato por nunca ter precisado. Nessa esteira, segundo dados da OMS, menos de 2% dos brasileiros são doadores, entretanto o pais conta com mais de 200 milhões de habitantes. Sendo assim, vê-se que a falta de empatia impede a autossuficiência brasileira nessa área.
Ademais, cabe salientar que a pequena taxa de coleta sanguínea deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que incentivem tal atitude. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o principal responsável por promover a saúde e bem-estar da sociedade, entretanto, isso não ocorre de maneira efetiva no Brasil. Esse fato é verificado devido à baixa promoção de campanhas com o intuito de desmistificar as ideias errôneas sobre a doação de sangue, o que faz com que boa parte da população, em pleno século XXI, tenha medo de exercer essa função em virtude da pura ignorância, por falta de informações esclarecedoras por parte do Estado.
Portanto, com vistas a aumentar as taxas de doadores e sensibilizar o maior número de cidadão o possível, o governo federal, em parceria com o Ministério da Saúde, deve elaborar campanhas de incentivo a doação, que demonstrem de forma impactante o poder de salvar vidas que esse ato possui. Isso deve ser feito por meio de inserções publicitárias nas mídias, como televisão e redes sociais, além de contar com o apoio de influenciadores digitais -haja vista o alcance e poder de influência destes perante seus jovens seguidores. Só assim será possível conscientizar a população e aumentar as taxas de doação de sangue, além de tornar o Brasil um pais autossuficiente nesse quesito.